HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023
Um homem de 63 anos de idade, diabético e obeso, deu entrada no pronto-socorro com queixa de dor e hiperemia em incisão de inguinotomia. Há 1 semana, foi operado para correção eletiva de hérnia inguinal direita. No 4º pós-operatório, passou a apresentar febre de 38 ºC, hiperemia e dor no local da operação. Ao exame: hiperemia e abaulamento na inguinotomia, que se estende para o períneo, com pontos de necrose e crepitação à palpação da área. Leucócitos: de 25.300/mm³, creatinina: 2,1 mg/dL. Além da reanimação volêmica e antibioticoterapia, a melhor conduta para tratar este paciente é
Dor intensa + hiperemia + crepitação + necrose pós-cirurgia em diabético/obeso → Fasciíte Necrotizante = Desbridamento cirúrgico amplo URGENTE.
A fasciíte necrotizante é uma infecção grave de tecidos moles que progride rapidamente, especialmente em pacientes imunocomprometidos como diabéticos e obesos. A presença de crepitação, necrose e dor desproporcional à lesão cutânea são sinais de alerta. O tratamento definitivo é o desbridamento cirúrgico agressivo e precoce, além da antibioticoterapia de largo espectro.
A fasciíte necrotizante é uma infecção bacteriana grave e rapidamente progressiva dos tecidos moles, incluindo fáscia e tecido subcutâneo, com alta morbimortalidade. É mais comum em pacientes com comorbidades como diabetes mellitus, obesidade, imunossupressão e doença vascular periférica. Pode ocorrer após traumas, cirurgias ou mesmo sem porta de entrada aparente. O diagnóstico é clínico, baseado em sinais como dor intensa e desproporcional à lesão cutânea, hiperemia, edema, bolhas, necrose e crepitação à palpação. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose acentuada, elevação de marcadores inflamatórios e disfunção orgânica. A imagem (tomografia) pode auxiliar, mas não deve atrasar a intervenção. A suspeita clínica é fundamental para o reconhecimento precoce. O tratamento é uma emergência cirúrgica, consistindo em desbridamento amplo e agressivo de todo o tecido necrótico e desvitalizado, que deve ser repetido se necessário. A antibioticoterapia empírica de largo espectro (cobrindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios) deve ser iniciada imediatamente. O suporte hemodinâmico e o controle de comorbidades, como a glicemia, são essenciais para o prognóstico.
Sinais de alerta incluem dor intensa e desproporcional, hiperemia progressiva, edema, bolhas, necrose cutânea, crepitação à palpação e sinais sistêmicos como febre e leucocitose.
A conduta inicial envolve reanimação volêmica, antibioticoterapia de largo espectro e, crucialmente, desbridamento cirúrgico amplo e urgente de todo o tecido desvitalizado.
Diabéticos e obesos possuem comprometimento da microcirculação, imunossupressão e maior volume de tecido adiposo, que é um meio propício para a proliferação bacteriana e disseminação da infecção.
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