PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023
Um homem de 66 anos foi submetido a uma colectomia de emergência por obstrução intestinal. Quatro dias depois ele se queixa de dor intensa no local da ferida operatória. A ferida está escurecida e com uma pequena quantidade de fluido cor de ferrugem drenando por ela. Qual é o próximo passo?
Ferida cirúrgica escurecida + dor intensa + drenagem "água de lavagem" pós-op → Fasciite Necrosante = desbridamento urgente.
A descrição da ferida operatória escurecida, dor intensa e drenagem de fluido cor de ferrugem (sinal de "água de lavagem") 4 dias após uma cirurgia abdominal é altamente sugestiva de fasciite necrosante, uma infecção grave de tecidos moles que exige desbridamento cirúrgico imediato para controle da infecção e prevenção de sepse.
A fasciite necrosante é uma infecção bacteriana grave e rapidamente progressiva dos tecidos moles, que se espalha ao longo dos planos fasciais, levando à necrose tecidual. No contexto pós-operatório, como após uma colectomia de emergência, ela representa uma complicação devastadora com alta morbimortalidade. A suspeita clínica é crucial, pois o diagnóstico precoce e a intervenção agressiva são determinantes para o prognóstico do paciente. Os sinais clássicos incluem dor intensa e desproporcional aos achados do exame físico, eritema, edema, e, posteriormente, escurecimento da pele, bolhas e drenagem de um fluido sero-hemorrágico com odor fétido, muitas vezes descrito como "água de lavagem". A progressão rápida dos sintomas e a deterioração do estado geral do paciente são alarmantes. A conduta mais importante e urgente é o desbridamento cirúrgico amplo e agressivo, que deve ser realizado o mais rápido possível para remover todo o tecido necrótico e infectado. Este procedimento é frequentemente repetido até que não haja mais tecido desvitalizado. A antibioticoterapia de amplo espectro, suporte hemodinâmico e, em alguns casos, oxigenoterapia hiperbárica, são adjuvantes, mas não substituem o desbridamento cirúrgico.
Dor intensa e desproporcional aos achados do exame físico, escurecimento ou necrose da pele, bolhas, crepitação e drenagem de fluido sero-hemorrágico ("água de lavagem") são sinais de alerta.
O desbridamento cirúrgico é crucial para remover o tecido necrótico infectado, que serve como meio de cultura para as bactérias e impede a ação dos antibióticos, controlando a infecção e prevenindo a progressão da doença e a sepse.
Fatores de risco incluem diabetes, imunossupressão, doença vascular periférica, obesidade, cirurgias abdominais complexas (como colectomia de emergência) e contaminação bacteriana da ferida.
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