Fasciíte Necrosante Pediátrica: Diagnóstico e Sinais de Alarme

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Pré-escolar de três anos iniciou quadro de varicela há 48 horas e evoluiu com edema de parede nas regiões torácica, abdominal e lombar, associada à intensa dor e hiperemia. Nas últimas 12 horas, surgiu uma lesão de tonalidade acinzentada escura, com anestesia na região central, medindo cerca de 10 cm de diâmetro, associada à presença de crepitação à palpação da parede torácica lateral esquerda. Ao exame, encontra-se agitado; irritado; choroso; com pulsos amplos; enchimento capilar de 2 segundos; frequência cardíaca de 170 bpm; frequência respiratória de 45 irpm e febre de 39ºC. O hemograma revelou contagem de leucócitos de 20.500 células com a presença de 10% de bastões e 70% de segmentados. Qual o diagnóstico desta complicação ocorrida pela infecção primária pelo vírus varicela-zóster?

Alternativas

  1. A) Fasciíte Necrosante.
  2. B) Celulite.
  3. C) Erisipela.
  4. D) Púrpura de Henoch-Schönlein.

Pérola Clínica

Varicela + dor intensa, edema, hiperemia, lesão acinzentada, anestesia, crepitação → Fasciíte Necrosante.

Resumo-Chave

A fasciíte necrosante é uma infecção bacteriana grave dos tecidos moles, frequentemente uma complicação da varicela em crianças. Sinais como dor desproporcional, edema, hiperemia, lesão acinzentada, anestesia e crepitação são alarmantes e indicam urgência cirúrgica e antibioticoterapia de amplo espectro.

Contexto Educacional

A fasciíte necrosante é uma infecção bacteriana rapidamente progressiva e grave dos tecidos moles, caracterizada por necrose da fáscia superficial, tecido subcutâneo e, por vezes, músculo. Em crianças, é uma complicação rara, mas devastadora, frequentemente associada a infecções virais prévias que comprometem a integridade da pele, como a varicela. A etiologia é polimicrobiana ou monomicrobiana, sendo Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A) e Staphylococcus aureus os patógenos mais comuns. O diagnóstico é clínico e exige alta suspeição. Os sinais incluem dor desproporcional à lesão cutânea, edema e eritema que se estendem além da área visível, bolhas, necrose, anestesia da pele devido à destruição nervosa e crepitação à palpação (pela presença de gás nos tecidos). A progressão é rápida, levando a toxicidade sistêmica e choque séptico. Exames laboratoriais mostram leucocitose com desvio à esquerda e elevação de marcadores inflamatórios. O tratamento é uma emergência cirúrgica e médica. Consiste em desbridamento cirúrgico agressivo e precoce para remover todo o tecido necrótico, associado a antibioticoterapia de amplo espectro intravenosa. O suporte hemodinâmico intensivo é crucial para o manejo do choque séptico. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e intervenção, sendo a mortalidade elevada se o tratamento for atrasado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da fasciíte necrosante em crianças?

Os principais sinais incluem dor intensa e desproporcional à lesão cutânea, edema, hiperemia, bolhas, necrose, anestesia da pele e crepitação à palpação. Há também sinais sistêmicos de sepse, como febre, taquicardia e irritabilidade.

Por que a varicela aumenta o risco de fasciíte necrosante?

A varicela causa lesões cutâneas que servem como porta de entrada para bactérias, principalmente Streptococcus pyogenes e Staphylococcus aureus. A imunossupressão transitória induzida pelo vírus também contribui para a suscetibilidade a infecções secundárias graves.

Qual a conduta inicial para um caso suspeito de fasciíte necrosante?

A conduta inicial é uma emergência médica, exigindo estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia empírica de amplo espectro (cobrindo Gram-positivos, Gram-negativos e anaeróbios) e desbridamento cirúrgico urgente para remover o tecido necrótico e limitar a progressão da infecção.

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