Fasciite Necrosante: Diagnóstico e Conduta de Emergência

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 54 anos apresenta dor intensa e desproporcional no membro inferior direito, febre, rápida progressão de edema e equimoses, bolhas hemorrágicas e odor fétido. Exames revelam lactato de 4,1 mmol/L e hipotensão relativa. Tomografia do membro mostra presença de gás nos planos fasciais. Qual deve ser a conduta prioritária?

Alternativas

  1. A) Iniciar antibioticoterapia de amplo espectro e manter observação clínica por 6–12 horas antes de qualquer intervenção.
  2. B) Realizar desbridamento cirúrgico imediato e extenso, associado a antibioticoterapia de amplo espectro e suporte hemodinâmico.
  3. C) Instituir oxigenoterapia hiperbárica, postergando o desbridamento cirúrgico para após 24 horas.
  4. D) Executar apenas fasciotomias de alívio, aguardando posterior demarcação da área necrosada.
  5. E) Administrar antitoxina para estreptococo e manter vigilância clínica, indicando cirurgia apenas em caso de deterioração.

Pérola Clínica

Dor desproporcional, febre, edema rápido, bolhas hemorrágicas, gás nos tecidos, lactato elevado → Fasciite Necrosante = Desbridamento cirúrgico imediato + ATB amplo espectro.

Resumo-Chave

A fasciite necrosante é uma infecção grave de partes moles caracterizada por dor desproporcional, rápida progressão, sinais de toxicidade sistêmica (febre, hipotensão, lactato elevado) e achados de gás nos tecidos. O tratamento prioritário envolve desbridamento cirúrgico imediato e extenso, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte hemodinâmico.

Contexto Educacional

A fasciite necrosante é uma infecção bacteriana rara, mas extremamente grave e rapidamente progressiva, que afeta os tecidos moles, incluindo a fáscia, gordura subcutânea e, por vezes, o músculo. A chave para um prognóstico favorável é o reconhecimento precoce e a intervenção agressiva. O quadro clínico é caracterizado por dor desproporcional à lesão cutânea aparente, edema progressivo, eritema, bolhas hemorrágicas, crepitação à palpação (devido à presença de gás nos tecidos) e sinais de toxicidade sistêmica, como febre, taquicardia, hipotensão e elevação do lactato sérico. A tomografia computadorizada que revela gás nos planos fasciais é um achado patognomônico e confirma o diagnóstico. Diante dessa suspeita, a conduta prioritária e salvadora é o desbridamento cirúrgico imediato e extenso, que visa remover todo o tecido necrótico e infectado. Este procedimento deve ser acompanhado de antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo os principais patógenos (Streptococcus pyogenes, Staphylococcus aureus, Clostridium spp. e bacilos Gram-negativos), e suporte hemodinâmico intensivo para manejar o choque séptico e a disfunção orgânica. Qualquer atraso na intervenção cirúrgica aumenta drasticamente a morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para fasciite necrosante?

Sinais de alerta incluem dor intensa e desproporcional à lesão, rápida progressão de edema e eritema, febre, bolhas hemorrágicas, crepitação (gás nos tecidos), odor fétido e sinais de toxicidade sistêmica como hipotensão e lactato elevado.

Por que o desbridamento cirúrgico é a conduta prioritária na fasciite necrosante?

O desbridamento cirúrgico é prioritário porque remove o tecido necrótico e infectado, que é um meio de cultura para as bactérias e impede a penetração de antibióticos, controlando a progressão da infecção e a liberação de toxinas.

Qual o papel da antibioticoterapia na fasciite necrosante?

A antibioticoterapia de amplo espectro é crucial para combater os patógenos envolvidos, mas é adjuvante ao desbridamento cirúrgico. Deve cobrir bactérias gram-positivas, gram-negativas e anaeróbios, e ser iniciada o mais rápido possível.

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