Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Homem, 63 anos, diabético, foi admitido no PS com queixa de dor e hiperemia em ferida operatória de inguinotomia esquerda, realizada eletivamente há 8 dias para correção de uma hérnia inguinal. Refere que após 5 dias da operação passou a apresentar hiperemia em toda região inguinal esquerda acompanhada de dor local e febre não medida. Ao exame: Desidratado, taquicárdico, apresentando edema, hiperemia extensa com pontos de necrose na pele de toda região inguinal esquerda estendendo-se para a bolsa escrotal desse lado, com crepitação à palpação. Leucocitose com desvio até metamielócito e acidose metabólica. Após medidas clínicas inicias a melhor conduta nesse momento, além da antibioticoterapia de amplo espectro é:
Fasciíte necrosante (crepitação, necrose, sepse) → desbridamento cirúrgico amplo e precoce é vital.
O quadro clínico (dor intensa, hiperemia extensa, necrose, crepitação, sepse sistêmica em diabético pós-cirurgia) é altamente sugestivo de fasciíte necrosante, uma infecção grave de tecidos moles. O tratamento fundamental, além da antibioticoterapia de amplo espectro, é o desbridamento cirúrgico agressivo e precoce para remover todo o tecido necrótico e controlar a disseminação da infecção.
A fasciíte necrosante é uma infecção bacteriana grave e rapidamente progressiva dos tecidos moles, caracterizada pela necrose da fáscia e do tecido subcutâneo. É uma emergência médica que requer reconhecimento e tratamento imediatos para evitar morbidade e mortalidade significativas. Pacientes diabéticos, imunocomprometidos ou pós-cirúrgicos são particularmente suscetíveis. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado em sinais como dor intensa e desproporcional, edema, eritema, bolhas, crepitação (devido à produção de gás por bactérias anaeróbias) e necrose cutânea. Sinais sistêmicos de sepse, como febre, taquicardia, hipotensão, leucocitose e acidose metabólica, são comuns e indicam a gravidade do quadro. A conduta terapêutica é multifacetada, mas o pilar é o desbridamento cirúrgico amplo e precoce de todo o tecido necrótico, que deve ser repetido conforme necessário. A antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo os patógenos mais prováveis (polimicrobiana), e o suporte hemodinâmico são medidas adjuvantes cruciais. A oxigenioterapia hiperbárica pode ser considerada em alguns casos, mas não substitui o desbridamento.
Os sinais incluem dor desproporcional à lesão, edema e eritema rapidamente progressivos, bolhas, crepitação à palpação, necrose cutânea e sinais sistêmicos de sepse como febre, taquicardia, leucocitose e acidose metabólica.
O desbridamento cirúrgico é crucial para remover o tecido necrótico, que serve como meio de cultura para bactérias e impede a penetração de antibióticos. Isso interrompe a progressão da infecção e a liberação de toxinas, salvando a vida do paciente.
A antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios, é essencial para combater a infecção bacteriana. No entanto, ela é adjuvante ao desbridamento cirúrgico, que é a medida mais eficaz.
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