Fasciíte Necrosante: Diagnóstico Clínico e Sinais de Alerta

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher de 33 anos com história de 19 anos de diabetes dependente de insulina tipo 2 complicada por neuropatia periférica, doença vascular periférica e doença renal crônica chega ao pronto-socorro reclamando de piora da dor e inchaço no pé direito nos últimos 3 dias. Ela tem histórico de neuropatia de Charcot no pé direito com ulceração crônica que tem sido tratada com desbridamentos semanais e cuidado com as feridas. Ela refere febres e calafrios. Ao exame ela apresenta uma ulceração plantar do mediopé de 1x1x3 cm de profundidade. Há um forte odor desagradável e todo o pé está significativamente edemaciado e eritematoso, com dor significativa à palpação do mediopé e da perna. Ela apresenta Doppler com fluxo bifásico. Em relação à apresentação clínica, qual é VERDADEIRA?

Alternativas

  1. A) A fasciíte necrosante tem a mesma incidência nas populações adulta e pediátrica;
  2. B) Os sinais iniciais de fasciíte necrosante incluem necrose da pele com coloração azul ou roxa, crepitação e bolhas;
  3. C) A característica clínica mais constante da fasciíte necrosante é a dor, desproporcional aos achados físicos;
  4. D) Quando os limites da infecção parecem mal definidos, o diagnóstico de erisipela é mais provável do que fasciíte necrosante.

Pérola Clínica

Dor desproporcional aos achados físicos = Sinal cardinal de fasciíte necrosante.

Resumo-Chave

A fasciíte necrosante é uma emergência cirúrgica onde a infecção progride rapidamente pela fáscia profunda. A dor intensa precede as alterações cutâneas visíveis e indica gravidade.

Contexto Educacional

A fasciíte necrosante é uma infecção bacteriana devastadora que se espalha ao longo dos planos fasciais. Pode ser do Tipo I (polimicrobiana, comum em diabéticos e idosos) ou Tipo II (monomicrobiana, geralmente por Streptococcus pyogenes). A fisiopatologia envolve a liberação de toxinas bacterianas que causam trombose de vasos perfurantes, levando à necrose isquêmica da fáscia e gordura subcutânea. O diagnóstico precoce é difícil porque a pele sobrejacente pode parecer normal nos estágios iniciais, exceto pelo edema e eritema leve. O LRINEC score (Laboratory Risk Indicator for Necrotizing Fasciitis) pode auxiliar, mas não substitui o julgamento clínico. A exploração cirúrgica imediata é o método definitivo para confirmar a suspeita e salvar o membro ou a vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais tardios da fasciíte necrosante?

Sinais tardios incluem bolhas hemorrágicas, crepitação (presença de gás no tecido), anestesia cutânea (devido à destruição de nervos superficiais) e necrose franca da pele com coloração azulada ou arroxeada. Quando esses sinais aparecem, a destruição tecidual profunda já é extensa e o prognóstico é reservado.

Como diferenciar celulite de fasciíte necrosante?

A celulite geralmente apresenta bordas bem definidas, calor e eritema, mas a dor é condizente com o aspecto visual e não há toxicidade sistêmica grave imediata. Na fasciíte, a dor é lancinante e desproporcional, o paciente apresenta sinais de sepse precocemente, e a progressão é medida em horas, não dias.

Qual o tratamento padrão-ouro para fasciíte necrosante?

O tratamento baseia-se no tripé: estabilização hemodinâmica agressiva, antibioticoterapia de amplo espectro (cobertura para gram-positivos, negativos e anaeróbios) e, crucialmente, desbridamento cirúrgico precoce. O atraso na cirurgia é o principal fator determinante de mortalidade.

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