Manejo da Fasciíte Necrosante: Urgência e Conduta Cirúrgica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 44 anos, diabética tipo 1, foi internada em unidade de terapia intensiva (UTI) com quadro de sepse grave. Ao exame físico, apresentava, em flanco esquerdo e dorso, área extensa de eritema, além de foco de necrose de pele, com saída de pequena quantidade de secreção seropurulenta. Observou-se também crepitação à palpação da área. A TC mostrou densificação dos tecidos da parede abdominal com presença de gás de permeio. Após as medidas de suporte clínico, a conduta indicada é:

Alternativas

  1. A) Insulinoterapia em bomba de infusão.
  2. B) Laparotomia exploradora de emergência.
  3. C) Antibioticoterapia após resultado de cultura.
  4. D) Desbridamento cirúrgico agressivo imediato.

Pérola Clínica

Crepitação + Gás na TC + Sepse → Fasciíte Necrosante → Desbridamento Cirúrgico Imediato.

Resumo-Chave

Infecções necrosantes de tecidos moles são emergências cirúrgicas onde o atraso no desbridamento aumenta drasticamente a mortalidade; o suporte clínico deve ser concomitante à cirurgia.

Contexto Educacional

A fasciíte necrosante é uma infecção profunda e devastadora que progride ao longo das fáscias musculares. Em pacientes diabéticos, a imunossupressão relativa e a microvasculopatia facilitam a disseminação de patógenos polimicrobianos (Tipo I). O quadro clínico apresentado, com eritema, necrose, crepitação e evidência radiológica de gás, fecha o diagnóstico de uma emergência cirúrgica. O tratamento baseia-se no tripé: estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro e, crucialmente, o desbridamento cirúrgico agressivo. O atraso de poucas horas na abordagem cirúrgica está diretamente correlacionado com o aumento da mortalidade e perda de membros.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clínicos patognomônicos de infecção necrosante?

Embora o diagnóstico inicial possa ser sutil, sinais como dor desproporcional ao achado físico, crepitação à palpação (indicando gás produzido por anaeróbios), bolhas hemorrágicas, necrose cutânea e rápida progressão do eritema são altamente sugestivos. A presença de instabilidade hemodinâmica ou sepse em um paciente com infecção de tecidos moles deve sempre levantar a suspeita de fasciíte necrosante.

Por que a cirurgia é prioritária sobre o antibiótico isolado?

Nas infecções necrosantes, ocorre trombose de microvasos e destruição tecidual maciça, o que impede que os antibióticos sistêmicos atinjam o foco infeccioso em concentrações terapêuticas. O tecido necrótico atua como um meio de cultura para a proliferação bacteriana e liberação de toxinas. Portanto, apenas a remoção mecânica (desbridamento) de todo o tecido desvitalizado pode interromper a cascata inflamatória e controlar a fonte da sepse.

Qual o papel da tomografia computadorizada neste contexto?

A TC é extremamente útil para confirmar a presença de gás nos planos fasciais, avaliar a extensão da infecção e identificar coleções profundas. No entanto, o diagnóstico de fasciíte necrosante é primariamente clínico e cirúrgico. Se a suspeita for alta e o paciente estiver instável, a cirurgia não deve ser retardada para a realização de exames de imagem complexos.

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