UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024
Paciente do sexo feminino de 45 anos é admitida no pronto-socorro, com lesão necrótica em região perineal há três dias com evolução rápida e progressiva. Apresentou febre não mensurada e calafrios. Hipertensa, diabética e tabagista. Ao exame, encontra-se descorada, desorientada e taquicárdica. Avaliação perineal mostra extensa lesão necrótica e fétida com pontos de flutuação, extensão para coxa e região supra púbica. Após estabilização clínica, a paciente foi submetida à tomografia demonstrada a seguir.A respeito do caso apresentado, considere as afirmativas a seguir.I. A realização de colostomia pode ser indicada quando houver contínua contaminação da ferida por conteúdo fecal.II. A antibioticoterapia deverá ser indicada apenas após o resultado da cultura do tecido.III. A terapia com pressão negativa não apresenta vantagem em relação ao curativo oclusivo simples.IV. A paciente deverá ser encaminhada para debridamento de todo o tecido necrótico com urgência.Assinale a alternativa correta.
Fasciíte necrosante perineal → debridamento cirúrgico urgente + ATB empírica + suporte. Colostomia se contaminação fecal.
A fasciíte necrosante perineal (Gangrena de Fournier) é uma emergência cirúrgica que exige debridamento agressivo e urgente de todo o tecido necrótico, além de antibioticoterapia empírica de amplo espectro. A colostomia pode ser necessária para desviar o trânsito fecal e evitar contaminação da ferida.
A fasciíte necrosante perineal, ou Gangrena de Fournier, é uma infecção polimicrobiana rara, mas fulminante, que afeta os tecidos moles do períneo, genitália e região perianal. Caracteriza-se por uma necrose progressiva da fáscia e tecidos subcutâneos, com alta morbimortalidade. Fatores de risco incluem diabetes mellitus, hipertensão, imunossupressão, alcoolismo e tabagismo, todos presentes na paciente do caso. O diagnóstico é clínico, baseado na rápida progressão da dor, eritema, edema, crepitação, bolhas e necrose tecidual, acompanhados de sinais sistêmicos de sepse. A tomografia computadorizada pode auxiliar na delimitação da extensão da infecção e na identificação de gás nos tecidos moles. A suspeita clínica deve levar a uma intervenção imediata, pois o atraso no tratamento aumenta significativamente a mortalidade. O tratamento é uma emergência cirúrgica e médica. Consiste em debridamento cirúrgico agressivo e urgente de todo o tecido necrótico e desvitalizado, que deve ser repetido conforme a necessidade. A antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios, deve ser iniciada imediatamente, sem aguardar resultados de cultura. A colostomia pode ser indicada para desviar o trânsito fecal e proteger a ferida da contaminação. A terapia com pressão negativa (VAC) é uma ferramenta valiosa no manejo de feridas complexas, promovendo a cicatrização e reduzindo o edema. O suporte hemodinâmico e metabólico intensivo é fundamental para o sucesso do tratamento.
Os sinais incluem dor intensa desproporcional à lesão cutânea, eritema, edema, crepitação, bolhas, necrose tecidual, febre, taquicardia e sinais de sepse, com rápida progressão.
O debridamento cirúrgico é urgente para remover todo o tecido necrótico e desvitalizado, que serve como meio de cultura para bactérias e impede a ação dos antibióticos, controlando a progressão da infecção e a sepse.
A colostomia pode ser indicada para desviar o trânsito fecal e proteger a ferida perineal da contaminação contínua, especialmente em casos de extensa necrose perianal ou quando a ferida não cicatriza adequadamente.
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