Oftalmoplegia Internuclear: Lesão do Fascículo Longitudinal Medial

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2016

Enunciado

As figuras abaixo representam a dextroversão (figura acima) e a convergência para perto (figura abaixo) de um paciente. Qual a localização neuroanatômica mais provável da lesão responsável por esses achados?

Alternativas

  1. A) Cápsula interna
  2. B) Córtex occipital
  3. C) Fascículo longitudinal medial
  4. D) Quiasma óptico

Pérola Clínica

Oftalmoplegia internuclear: falha na adução ipsilateral ao FLM lesado + convergência preservada.

Resumo-Chave

A lesão do fascículo longitudinal medial (FLM) desconecta o núcleo do VI par (ponte) do núcleo do III par contralateral (mesencéfalo), impedindo a adução no olhar horizontal, mas poupando a convergência.

Contexto Educacional

A oftalmoplegia internuclear (OIN) é um achado clássico na neurologia e oftalmologia que exige conhecimento preciso da anatomia do tronco encefálico. O fascículo longitudinal medial (FLM) atua como uma 'ponte' de alta velocidade que permite que os olhos se movam juntos horizontalmente. Quando o FLM é lesionado, o sinal para o reto medial aduzir não chega a tempo ou não chega de forma alguma. Clinicamente, o diagnóstico é feito observando-se o paciente tentar olhar para o lado oposto à lesão: o olho que deveria aduzir falha, e o olho que abduz apresenta nistagmo (uma tentativa compensatória do sistema nervoso). A preservação da convergência é o sinal patognomônico que diferencia a OIN de uma paralisia isolada do nervo oculomotor, sendo essencial para o raciocínio clínico em exames de residência e na prática neurológica.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a oftalmoplegia internuclear (OIN)?

A oftalmoplegia internuclear é caracterizada pela incapacidade ou lentidão na adução do olho ipsilateral à lesão durante o olhar horizontal conjugado, acompanhada de nistagmo de abdução no olho contralateral. É causada por uma lesão no fascículo longitudinal medial (FLM), que é a via de comunicação entre o núcleo do nervo abducente (VI par) em um lado da ponte e o subnúcleo do músculo reto medial do nervo oculomotor (III par) no mesencéfalo contralateral. Em jovens, a causa mais comum é a esclerose múltipla, enquanto em idosos predominam as causas isquêmicas (AVC).

Por que a convergência é preservada na lesão do FLM?

A convergência é preservada porque a via neurológica que comanda a adução dos olhos para perto (reflexo de acomodação/convergência) é diferente da via do olhar horizontal conjugado. Enquanto o olhar horizontal depende do fascículo longitudinal medial para coordenar o reto lateral de um olho com o reto medial do outro, a convergência é mediada por centros supranucleares no mesencéfalo que enviam sinais diretamente aos núcleos do III par, sem passar obrigatoriamente pelo FLM. Portanto, a integridade da convergência ajuda a localizar a lesão no tronco encefálico.

Quais as principais etiologias da lesão no FLM?

As causas variam significativamente com a idade do paciente. Em pacientes jovens, a oftalmoplegia internuclear bilateral é altamente sugestiva de esclerose múltipla (desmielinização). Em pacientes mais velhos, a causa mais frequente é o acidente vascular cerebral isquêmico afetando pequenos ramos da artéria basilar que suprem o tegmento da ponte ou mesencéfalo. Outras causas menos comuns incluem tumores de tronco encefálico, traumas cranioencefálicos, infecções (como neurossífilis) ou encefalopatia de Wernicke.

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