FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Paciente 68 anos, feminina, diabética com IMC de 43, dá entrada no PS com queixa de dor em face interna da coxa esquerda, febre e queda do estado geral. Ao exame físico, observa-se hiperemia e crepitação no local assinalado pela paciente, porém apresenta a pele aparentemente íntegra sem soluções de continuidade visíveis. Qual o tratamento a ser instituído?
Fasceíte necrosante: crepitação + dor intensa + febre + comorbidades → desbridamento cirúrgico URGENTE.
A presença de crepitação, dor desproporcional ao exame físico e rápida progressão em pacientes com comorbidades como diabetes e obesidade, mesmo com pele aparentemente íntegra, sugere fasceíte necrosante. O tratamento é uma emergência cirúrgica para desbridamento.
A fasceíte necrosante é uma infecção bacteriana grave e rapidamente progressiva dos tecidos moles, caracterizada pela necrose da fáscia superficial e profunda, com alta morbidade e mortalidade. É uma emergência médica que exige reconhecimento precoce e intervenção agressiva. A epidemiologia mostra maior incidência em pacientes com comorbidades como diabetes mellitus, obesidade e imunossupressão, que predispõem a infecções graves e comprometem a resposta imune. A fisiopatologia envolve a proliferação bacteriana e a produção de toxinas que causam trombose microvascular, isquemia tecidual e necrose. O diagnóstico é clínico, baseado em sinais como dor intensa e desproporcional, febre, taquicardia, crepitação à palpação e rápida progressão dos sintomas. Exames de imagem como tomografia podem auxiliar, mas não devem atrasar o tratamento. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco e sinais de infecção sistêmica. O tratamento é primariamente cirúrgico, com desbridamento agressivo e urgente de todo o tecido necrótico, complementado por antibioticoterapia de amplo espectro (cobrindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios). O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção. Pontos de atenção incluem a monitorização hemodinâmica, suporte intensivo e a necessidade de múltiplos desbridamentos.
Sinais de alerta incluem dor intensa e desproporcional, febre, taquicardia, crepitação à palpação, edema e eritema rapidamente progressivos, e bolhas ou necrose cutânea em estágios avançados.
O desbridamento cirúrgico é urgente para remover o tecido necrótico e infectado, que serve como meio de cultura para bactérias e impede a ação dos antibióticos, controlando a disseminação da infecção e prevenindo o choque séptico.
Os principais fatores de risco incluem diabetes mellitus, obesidade, imunossupressão, doença vascular periférica, uso de drogas intravenosas, cirurgias recentes e trauma.
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