CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2014
Sobre os descongestionantes oculares:
Fenilefrina = agonista alfa-1 seletivo → promove midríase e vasoconstrição sem afetar a acomodação (ciclopegia).
Os descongestionantes oculares agem estimulando receptores alfa-adrenérgicos. A fenilefrina destaca-se por ser um agonista alfa-1 direto, útil para midríase diagnóstica e retração palpebral.
Os descongestionantes oculares são pilares na prática oftalmológica, tanto para fins estéticos (redução da hiperemia conjuntival) quanto diagnósticos (auxílio na fundoscopia). O conhecimento preciso da afinidade por receptores adrenérgicos permite ao médico diferenciar os efeitos desejados, como a midríase, dos efeitos adversos, como a taquicardia ou o rebote vascular. A fenilefrina é o protótipo do agonista alfa-1 direto, sendo essencial para diferenciar episclerite de esclerite (onde os vasos profundos não branqueiam) e para dilatação pupilar pré-operatória. Clinicamente, a escolha do agente deve considerar a duração do efeito e o perfil de segurança do paciente. O uso de IMAOs potencializa o efeito das catecolaminas, tornando a fenilefrina perigosa nesses cenários. Além disso, a distinção entre midríase (dilatação) e ciclopegia (perda de foco) é um conceito fundamental em provas de residência, sendo a fenilefrina o exemplo clássico de fármaco que causa apenas a primeira.
A fenilefrina é um agente simpatomimético que atua como agonista direto dos receptores alfa-1 adrenérgicos. No olho, sua principal ação ocorre no músculo dilatador da pupila, resultando em midríase, e nas arteríolas conjuntivais, causando vasoconstrição. Diferente dos anticolinérgicos (como a atropina), a fenilefrina não possui efeito significativo nos receptores muscarínicos do músculo ciliar, o que significa que ela promove a dilatação pupilar sem causar paralisia da acomodação (ciclopegia), permitindo que o paciente mantenha a capacidade de focar objetos próximos durante o exame.
Embora ambos sejam vasoconstritores, a nafazolina é uma imidazolina que atua em receptores alfa-1 e alfa-2, apresentando um risco significativamente maior de hiperemia reativa (efeito rebote) após o uso prolongado. A fenilefrina, por ser um agonista alfa-1 mais puro, tende a causar menos vasodilatação secundária, embora seu uso crônico ainda seja desencorajado devido ao risco de toxicidade epitelial e tolerância. Na prática clínica, a fenilefrina é frequentemente utilizada em concentrações maiores (2,5% a 10%) para fins diagnósticos de midríase, enquanto a nafazolina é restrita a colírios de venda livre para 'clareamento' ocular sintomático.
O uso de descongestionantes oculares, especialmente a fenilefrina em concentrações de 10%, exige cautela em pacientes com hipertensão arterial sistêmica grave, doença coronariana e naqueles em uso de inibidores da monoaminoxidase (IMAO) ou antidepressivos tricíclicos, devido ao risco de crise hipertensiva por absorção sistêmica via ducto nasolacrimal. Em pacientes com glaucoma de ângulo estreito ou câmara anterior rasa, a midríase induzida pode precipitar um fechamento angular agudo. Portanto, a oclusão do ponto lacrimal após a instilação é uma manobra recomendada para minimizar a absorção sistêmica desses fármacos.
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