CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2025
Sobre a penetração ocular de medicamentos, é correto afirmar:
Córnea (epitélio lipofílico) → Favorece a penetração de drogas lipofílicas.
A estrutura da córnea, especialmente seu epitélio externo, atua como uma barreira lipofílica, permitindo que substâncias com maior lipossolubilidade penetrem mais facilmente nos tecidos oculares.
A farmacocinética ocular é complexa devido às barreiras anatômicas e fisiológicas projetadas para proteger o olho. A córnea é a principal via de entrada para drogas aplicadas topicamente no segmento anterior. Ela se comporta como uma estrutura diferencial: o epitélio e o endotélio são lipofílicos, enquanto o estroma (que compõe 90% da espessura) é hidrofílico. Para que uma droga tenha boa penetração ocular, ela idealmente deve possuir características anfifílicas (solubilidade tanto em água quanto em lipídios). No entanto, a barreira epitelial é o fator limitante mais crítico, o que explica por que drogas lipofílicas apresentam taxas de penetração superiores às puramente hidrofílicas. Além disso, o tempo de contato e a taxa de depuração lacrimal influenciam diretamente a eficácia terapêutica.
A córnea é composta por cinco camadas, sendo o epitélio a mais externa. O epitélio corneano possui junções celulares muito firmas (zonulae occludentes) e é rico em lipídios, funcionando como uma barreira hidrofóbica. Portanto, drogas lipofílicas conseguem atravessar essa camada epitelial com maior facilidade por difusão passiva, enquanto drogas hidrofílicas encontram maior resistência.
A biodisponibilidade ocular de medicamentos instilados topicamente é extremamente baixa, geralmente inferior a 5%. A maior parte da droga é perdida devido à drenagem nasolacrimal, absorção sistêmica pela conjuntiva e mucosa nasal, e pelo turnover lacrimal. Apenas uma pequena fração atravessa a córnea para atingir o humor aquoso.
Diferente da córnea, a conjuntiva é significativamente mais permeável, especialmente para drogas hidrofílicas e moléculas maiores. No entanto, a conjuntiva é altamente vascularizada, o que significa que a droga que penetra por essa via é rapidamente removida pela circulação sistêmica, reduzindo a quantidade de fármaco que efetivamente entra no globo ocular.
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