Farmacologia em Idosos: Metabolismo e Efeitos Adversos

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2015

Enunciado

Uma preocupação a se ter com a população com idade acima de 65 anos é o maior número de ocorrências de efeitos adversos com eventuais drogas em uso. Isso se deve a um conjunto de fatores causais. Com base nessas informações, assinale a alternativa que apresenta um fator causal:

Alternativas

  1. A) Elevada incidência de tumores.
  2. B) Doses maiores, que sempre devem ser usadas, para surtir o efeito desejado.
  3. C) Infecções de repetição muito comum.
  4. D) Inapetência, que ocorre em 90% desses indivíduos.
  5. E) Metabolismo das drogas alterado com a idade.

Pérola Clínica

Idosos → metabolismo e excreção de drogas alterados → ↑ risco de efeitos adversos.

Resumo-Chave

O envelhecimento fisiológico altera a farmacocinética e farmacodinâmica das drogas, resultando em absorção, distribuição, metabolismo e excreção diferentes. O metabolismo hepático e a função renal diminuem com a idade, prolongando a meia-vida de muitos medicamentos e aumentando o risco de toxicidade e efeitos adversos.

Contexto Educacional

A população idosa, definida geralmente como indivíduos acima de 65 anos, apresenta uma série de particularidades fisiológicas que impactam diretamente a farmacologia. O envelhecimento acarreta alterações significativas na farmacocinética (o que o corpo faz com a droga) e na farmacodinâmica (o que a droga faz no corpo), tornando-os mais suscetíveis a efeitos adversos e toxicidade medicamentosa. Entre os fatores causais mais relevantes, destaca-se a alteração no metabolismo das drogas. Com a idade, há uma redução da massa hepática e do fluxo sanguíneo hepático, além de uma diminuição da atividade de enzimas metabolizadoras (como as do citocromo P450). Isso retarda a biotransformação de muitos medicamentos, prolongando sua meia-vida e aumentando suas concentrações plasmáticas. A função renal também declina progressivamente, comprometendo a excreção de drogas e seus metabólitos. Para o residente, é crucial ter uma abordagem cautelosa na prescrição para idosos, iniciando com doses mais baixas ('start low, go slow'), monitorando de perto os efeitos e ajustando conforme a resposta clínica e a função renal/hepática. A polifarmácia, comum nessa faixa etária, também exige atenção redobrada para evitar interações medicamentosas perigosas.

Perguntas Frequentes

Por que idosos têm maior risco de efeitos adversos a medicamentos?

Idosos apresentam alterações fisiológicas como diminuição da função renal e hepática, alteração na distribuição de gordura corporal e sensibilidade dos receptores, que modificam a farmacocinética e farmacodinâmica das drogas.

Quais são as principais alterações farmacocinéticas em idosos?

As principais alterações incluem diminuição da absorção gastrointestinal, redução do volume de distribuição (especialmente para drogas hidrofílicas), diminuição do metabolismo hepático e redução da excreção renal.

Como a polifarmácia afeta a segurança medicamentosa em idosos?

A polifarmácia (uso de múltiplos medicamentos) aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos e cascata de prescrição, tornando a gestão da terapia mais complexa e perigosa.

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