Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2016
Ao prescrever para pacientes acima de 65 anos, é correto afirmar que:
Prescrição em idosos exige cautela; Haloperidol pode ser usado para agitação psicomotora em doses adequadas.
A prescrição em idosos é complexa devido a alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas, polifarmácia e comorbidades. Haloperidol pode ser usado para agitação aguda em doses baixas e por tempo limitado, com monitoramento rigoroso de efeitos adversos.
A prescrição de medicamentos para pacientes acima de 65 anos é um desafio complexo na prática médica, exigindo conhecimento aprofundado de farmacologia geriátrica. Idosos apresentam alterações fisiológicas que afetam a absorção, distribuição, metabolismo e excreção de fármacos, resultando em maior sensibilidade e risco de efeitos adversos. A polifarmácia, comum nessa população, aumenta o risco de interações medicamentosas e iatrogenia. Medicamentos como amiodarona, indometacina, fluoxetina e amitriptilina são frequentemente listados nos Critérios de Beers como potencialmente inapropriados para idosos devido aos seus perfis de efeitos adversos. A amiodarona, por exemplo, possui toxicidade multissistêmica. A indometacina, um anti-inflamatório não esteroide (AINE), tem alto risco de efeitos gastrointestinais, renais e cardiovasculares. Antidepressivos como a amitriptilina (tricíclico) e a fluoxetina (ISRS de longa meia-vida) podem causar sedação, efeitos anticolinérgicos e aumentar o risco de quedas. Em contraste, o haloperidol, um antipsicótico de primeira geração, pode ser uma opção para o controle de agitação psicomotora aguda em idosos, desde que utilizado em doses adequadas (geralmente baixas) e por tempo limitado, com monitoramento rigoroso de efeitos extrapiramidais e prolongamento do intervalo QT. A escolha terapêutica deve sempre ponderar riscos e benefícios, priorizando a segurança do paciente e a qualidade de vida.
A prescrição em idosos deve seguir o princípio "começar baixo e ir devagar" (start low, go slow), considerando as alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas à idade, a polifarmácia, as comorbidades e o risco aumentado de efeitos adversos.
Amiodarona tem múltiplos efeitos adversos (tireoide, pulmonar, hepático). Indometacina é um AINE com alto risco de efeitos gastrointestinais e renais. Fluoxetina tem meia-vida longa e pode aumentar o risco de quedas. Amitriptilina é um antidepressivo tricíclico com fortes efeitos anticolinérgicos, sedação e risco cardíaco em idosos, sendo geralmente evitada.
O haloperidol pode ser usado em doses baixas e por curto período para controle de agitação psicomotora aguda em idosos, quando outras medidas não farmacológicas falham. É crucial monitorar efeitos extrapiramidais, sedação excessiva e prolongamento do QT.
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