CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2015
Sobre os anestésicos locais, é correto afirmar:
Duração anestésica ∝ tempo de contato com o nervo; bloqueio via ↓ fluxo de Na+.
Os anestésicos locais agem bloqueando os canais de sódio dependentes de voltagem, impedindo a despolarização. A duração do efeito é diretamente ligada ao tempo de permanência da droga junto à fibra nervosa.
A farmacologia dos anestésicos locais é um pilar fundamental na anestesiologia e cirurgia. O conhecimento das propriedades físico-químicas, como pKa (que determina o início de ação), lipossolubilidade (que determina a potência) e ligação proteica (que determina a duração), é essencial para a escolha do agente ideal. Clinicamente, a segurança do procedimento depende da compreensão de que a toxicidade sistêmica (LAST - Local Anesthetic Systemic Toxicity) está diretamente ligada à concentração plasmática do fármaco. Portanto, técnicas que retardam a absorção, como o uso de vasoconstritores e o respeito às doses máximas, são imperativas para o manejo seguro do paciente.
Os vasoconstritores, como a adrenalina, quando associados aos anestésicos locais, promovem uma redução do fluxo sanguíneo no local da aplicação. Isso resulta em uma absorção sistêmica mais lenta da droga, o que reduz o risco de toxicidade sistêmica e, simultaneamente, mantém uma concentração maior do fármaco em contato com as fibras nervosas por mais tempo, prolongando a duração do bloqueio anestésico e reduzindo o sangramento cirúrgico local.
O mecanismo primário consiste na ligação reversível aos canais de sódio dependentes de voltagem na membrana neuronal. Ao se ligarem ao receptor específico no interior do canal, os anestésicos impedem a ativação do canal e o influxo de íons sódio necessário para a despolarização da membrana. Sem a despolarização, o potencial de ação não é gerado nem conduzido ao longo do axônio, resultando na interrupção da transmissão do estímulo doloroso.
Diferente da lidocaína e da procaína, que possuem propriedades vasodilatadoras intrínsecas significativas, a mepivacaína apresenta uma capacidade vasodilatadora muito menor, ou até mesmo uma leve vasoconstrição em certas concentrações. Isso permite que ela mantenha uma duração de ação clínica aceitável mesmo sem a adição de um vasoconstritor exógeno, sendo útil em pacientes onde o uso de aminas simpatomiméticas é contraindicado.
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