PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Em relação aos anestésicos locais assinale como VERDADEIRO (V) ou FALSO (F) e assinale a alternativa CORRETA. I. Em uma mesma concentração, eles apresentam bloqueio igual tanto das fibras sensitivas quanto das motoras; II. A cocaína e a bupivacaína em doses habituais apresentam efeito vasoconstritor; III. Em meio menos ácido ocorre diminuição do tempo de latência; IV. A lipossolubilidade e a concentração são os principais responsáveis pelo tempo de latência anestésica. V. A duração do efeito anestésico está primariamente relacionada com o grau de afinidade protéica do agente; VI. A solubilidade lipídica é o determinante primário da potência anestésica intrínseca.
Duração = Afinidade Proteica; Potência = Lipossolubilidade; Latência = pKa (meio menos ácido ↓ latência).
A farmacologia dos anestésicos locais é determinada por suas propriedades físico-químicas: a solubilidade lipídica define a potência, a ligação proteica define a duração, e o pKa (influenciado pelo pH do meio) define a latência.
Os anestésicos locais bloqueiam a condução nervosa ao inibir os canais de sódio voltagem-dependentes. A compreensão de que fibras diferentes (sensitivas vs. motoras) possuem sensibilidades distintas ao bloqueio (bloqueio diferencial) é vital. Além disso, a toxicidade sistêmica (LAST) é uma preocupação constante, especialmente com agentes de longa duração e alta potência, exigindo conhecimento profundo das doses máximas e do manejo com emulsão lipídica.
Os anestésicos locais são bases fracas. Para atravessar a membrana lipídica do nervo, eles precisam estar na forma não ionizada (lipossolúvel). Em tecidos inflamados ou infectados (meio ácido), o equilíbrio químico favorece a forma ionizada, que não atravessa a membrana, aumentando o tempo de latência ou impedindo o bloqueio. Em meio menos ácido (ou com adição de bicarbonato), há mais forma não ionizada disponível, diminuindo o tempo de latência.
A solubilidade lipídica é o determinante primário da potência anestésica intrínseca. Como a membrana neuronal é composta majoritariamente por lipídios, anestésicos mais lipossolúveis (como a bupivacaína e etidocaína) penetram com maior facilidade e eficácia, permitindo o uso de concentrações menores para atingir o mesmo nível de bloqueio nervoso em comparação com agentes menos lipossolúveis (como a lidocaína).
A duração do efeito está primariamente relacionada ao grau de afinidade e ligação às proteínas plasmáticas e teciduais (especialmente a alfa-1-glicoproteína ácida). Agentes que se ligam fortemente às proteínas permanecem fixados aos canais de sódio por mais tempo, resultando em uma ação prolongada. A bupivacaína é um exemplo de anestésico com alta ligação proteica e longa duração, enquanto a lidocaína tem ligação moderada e duração intermediária.
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