CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2009
Qual a associação correta?I - Macrolídeo com ação bactericida que pode ser utilizado sistemicamente em crianças II - Uso sistêmico por tempo prolongado pode desencadear colite pseudomembranosa III - Cistite hemorrágica é um dos seus efeitos colaterais mais característicos IV - Peptídio lipossolúvel que interfere na ação da interleucina-2, limitando a ativação de linfócitos TCD4 e TCD8
Ciclofosfamida → Cistite hemorrágica; Ciclosporina → Inibe IL-2 e ativação de células T.
A questão exige correlação entre fármacos e seus efeitos ou mecanismos: Eritromicina (macrolídeo), Tetraciclina (colite), Ciclofosfamida (cistite) e Ciclosporina (inibição de IL-2).
O conhecimento da farmacologia sistêmica é vital para o médico, pois muitos tratamentos oftalmológicos e reumatológicos utilizam drogas com perfis de toxicidade severos. A ciclofosfamida, usada em vasculites e doenças autoimunes graves, exige monitoramento urinário rigoroso. A ciclosporina revolucionou o transplante de órgãos e o manejo de uveítes severas, mas requer atenção à função renal e pressão arterial. Compreender esses mecanismos permite uma prescrição segura e o manejo precoce de complicações potencialmente fatais.
A ciclofosfamida é um agente alquilante do grupo das mostardas nitrogenadas. No fígado, ela é metabolizada em aldofosfamida e, posteriormente, em acroleína. A acroleína é um metabólito tóxico que é excretado na urina e causa irritação direta e danos ao epitélio vesical (urotélio), resultando em inflamação e sangramento, o que caracteriza a cistite hemorrágica. Para prevenir essa complicação, utiliza-se hiper-hidratação e o uso de MESNA (2-mercaptoetanosulfonato de sódio), que se liga à acroleína na bexiga, neutralizando sua toxicidade.
A ciclosporina é um peptídeo lipossolúvel que atua como um inibidor da calcineurina. Ela se liga à ciclofilina intracelular, formando um complexo que inibe a atividade da calcineurina fosfatase. Essa inibição impede a desfosforilação e a translocação nuclear do fator nuclear de células T ativadas (NFAT), o que bloqueia a transcrição de genes de citocinas pró-inflamatórias, principalmente a Interleucina-2 (IL-2). Sem IL-2, ocorre uma falha na ativação e proliferação de linfócitos T CD4 e CD8, conferindo seu potente efeito imunossupressor.
A colite pseudomembranosa é causada pelo supercrescimento da bactéria Clostridioides difficile (antigo Clostridium difficile). Antibióticos de amplo espectro, como as tetraciclinas, clindamicina e quinolonas, alteram significativamente a microbiota intestinal normal. Essa disbiose permite que o C. difficile colonize o cólon e libere toxinas (Toxina A e B) que causam inflamação grave, formação de pseudomembranas e diarreia profusa. Embora menos comum com tetraciclinas do que com clindamicina, o risco existe especialmente em usos prolongados.
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