HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024
Homem, 65 anos, chega à emergência com lesão corto-contusa por uma serra circular em região tenar esquerda, sem fratura na radiografia. Foi indicada limpeza, desbridamento e sutura da ferida. O anestésico local de escolha para o procedimento foi a lidocaína 1%. Em relação aos fatores que influenciam na duração de ação, potência ou efetividade do anestésico usado, afirma-se: I. Quanto mais ácido for o pH do tecido, menor será a penetração do anestésico nos nervos.II. O aumento da hidrofobicidade do anestésico está relacionado com o aumento da sua potência.III. Quanto maior for a ligação do anestésico às proteínas, menor será o tempo de duração da ação anestésica. Estão corretas as afirmativas
pH ácido ↓ penetração anestésico; ↑ hidrofobicidade = ↑ potência; ↑ ligação proteica = ↑ duração.
O pH ácido do tecido (como em inflamações) diminui a fração não ionizada do anestésico, dificultando sua penetração na membrana nervosa. A hidrofobicidade está diretamente ligada à potência, pois facilita a interação com a membrana lipídica. A ligação às proteínas plasmáticas e teciduais prolonga a permanência do anestésico no local de ação, aumentando sua duração.
A compreensão da farmacologia dos anestésicos locais é fundamental para qualquer médico, especialmente em cenários de emergência e cirurgia. Fatores como o pH do tecido, a hidrofobicidade e a ligação proteica são determinantes para a efetividade e duração do bloqueio anestésico. Em tecidos inflamados ou infectados, o pH local mais ácido pode comprometer a ação do anestésico, exigindo doses maiores ou técnicas alternativas. A hidrofobicidade de um anestésico local está diretamente relacionada à sua potência, pois moléculas mais lipossolúveis atravessam as membranas celulares com maior facilidade, atingindo os canais de sódio nos nervos. A ligação às proteínas, por sua vez, influencia a duração da ação, pois atua como um reservatório, liberando o fármaco lentamente e prolongando seu efeito. Para residentes, dominar esses conceitos permite a escolha adequada do anestésico, a otimização da técnica e a prevenção de falhas no bloqueio, garantindo maior segurança e conforto ao paciente. A lidocaína, por exemplo, é um anestésico de potência e duração intermediárias, amplamente utilizada em diversos procedimentos.
O pH ácido do tecido, comum em processos inflamatórios, diminui a quantidade da forma não ionizada do anestésico local. Apenas a forma não ionizada consegue atravessar a membrana lipídica do nervo, resultando em menor penetração e, consequentemente, menor efetividade do bloqueio anestésico.
Anestésicos locais mais hidrofóbicos são mais potentes. Isso ocorre porque a maior hidrofobicidade facilita a difusão do anestésico através da membrana lipídica do nervo, permitindo que mais moléculas atinjam o local de ação nos canais de sódio, mesmo em concentrações mais baixas.
Quanto maior a ligação de um anestésico local às proteínas plasmáticas e teciduais, maior será sua duração de ação. Essa ligação atua como um reservatório, liberando gradualmente o fármaco e prolongando sua permanência no local, o que retarda sua metabolização e eliminação.
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