UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
Um paciente de 72 anos, diabético, será submetido a uma cirurgia eletiva de colecistectomia laparoscópica após estabilização de uma infecção biliar prévia. Sabendo se que a profilaxia antimicrobiana adequada depende de fatores farmacodinâmicos dos ß-lactâmicos, como as cefalosporinas, qual é o fator mais importante para garantir a eficácia da profilaxia intraoperatória?
Beta-lactâmicos = Tempo-dependentes → Eficácia depende de T > MIC (Tempo acima da Concentração Inibitória Mínima).
A eficácia das cefalosporinas na profilaxia cirúrgica depende da manutenção de níveis plasmáticos acima da MIC durante todo o procedimento, exigindo redosagem se a cirurgia for prolongada.
A profilaxia antimicrobiana cirúrgica visa reduzir a carga bacteriana no sítio operatório no momento da incisão e durante o procedimento. Para que seja eficaz, o antibiótico deve estar presente nos tecidos em concentrações superiores à MIC dos patógenos mais prováveis (geralmente Staphylococcus aureus e estreptococos em cirurgias limpas). O uso de cefalosporinas de primeira geração, como a cefazolina, é o padrão-ouro devido ao seu espectro de ação, baixo custo e perfil de segurança. A compreensão da farmacodinâmica é essencial para o cirurgião, pois dita não apenas o momento da administração inicial (30-60 minutos antes da incisão), mas também a necessidade crítica de manutenção desses níveis durante procedimentos prolongados.
As cefalosporinas pertencem à classe dos beta-lactâmicos, que possuem atividade antimicrobiana tempo-dependente. Isso significa que o fator determinante para a morte bacteriana não é a concentração máxima atingida (pico), mas sim o tempo total em que a concentração do fármaco permanece acima da Concentração Inibitória Mínima (MIC) do patógeno alvo. Na profilaxia cirúrgica, garantir que esse nível seja mantido desde a incisão até o fechamento da pele é fundamental para prevenir a colonização e infecção do sítio cirúrgico.
A redosagem intraoperatória deve ser realizada em duas situações principais: quando a duração da cirurgia excede duas meias-vidas do antibiótico utilizado (para a cefazolina, geralmente após 3 a 4 horas) ou em casos de perda sanguínea maciça (superior a 1.500 mL em adultos). Essa prática garante que os níveis plasmáticos não caiam abaixo da MIC, mantendo a proteção farmacodinâmica necessária durante todo o período de vulnerabilidade tecidual.
Antibióticos tempo-dependentes, como beta-lactâmicos e glicopeptídeos, dependem da duração da exposição acima da MIC. Já os concentração-dependentes, como aminoglicosídeos e quinolonas, dependem da relação entre o pico de concentração plasmática (Cmax) e a MIC, ou da área sob a curva (AUC) sobre a MIC. Na profilaxia cirúrgica padrão, utilizamos predominantemente os tempo-dependentes (cefalosporinas), focando na manutenção constante do nível terapêutico.
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