Farmacodermia: Diagnóstico e Conduta em Reações Cutâneas

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Um médico do Programa de Saúde da Família realiza avaliação de um homem com 47 anos que apresenta queixa de alergia medicamentosa. O paciente refere prurido, iniciado 2 dias depois que passou a tomar naproxeno para dor no ombro direito, receitado por esse mesmo médico que o avalia. O profissional, ao exame físico, constata que o paciente se apresenta bem, corado, orientado, com sinais vitais normais. A ausculta pulmonar é normal. O médico também observa múltiplas lesões papuloeritematosas disseminadas pelo corpo do paciente. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta mais adequados para esse caso?

Alternativas

  1. A) Doença do soro; manter uso de naproxeno e administrar hidrocortisona IV.
  2. B) Anafilaxia; colocar o paciente em posição supina e administrar adrenalina IM.
  3. C) Farmacodermia; suspender uso de naproxeno e administrar anti-histamínico VO.
  4. D) Dermatite atópica; suspender uso de naproxeno e administrar anti-histamínico IV. 

Pérola Clínica

Prurido + lesões papuloeritematosas disseminadas após iniciar naproxeno = Farmacodermia → suspender droga e anti-histamínico VO.

Resumo-Chave

A farmacodermia, ou reação medicamentosa cutânea, é um diagnóstico comum quando há um rash cutâneo com prurido que surge após o início de um novo medicamento. A conduta mais importante é a suspensão imediata do agente causador e o tratamento sintomático com anti-histamínicos orais, desde que não haja sinais de gravidade ou anafilaxia.

Contexto Educacional

Farmacodermia, ou reação medicamentosa cutânea, refere-se a qualquer reação adversa que afeta a pele e/ou mucosas, causada por um medicamento. É uma das manifestações mais comuns de reações adversas a drogas, com uma incidência que varia amplamente dependendo do medicamento e da população. A importância clínica reside na necessidade de reconhecimento rápido para suspender o agente causador e prevenir reações mais graves. A fisiopatologia das farmacodermias é complexa e envolve mecanismos imunológicos (hipersensibilidade tipo I, II, III, IV) e não imunológicos. As manifestações clínicas são diversas, variando de exantemas maculopapulares (o tipo mais comum), urticária, angioedema, até reações graves como a síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de exposição ao fármaco e na morfologia das lesões. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente que desenvolva um rash cutâneo após iniciar um novo medicamento. O tratamento da farmacodermia envolve a suspensão imediata do medicamento agressor, que é a medida mais crucial. O tratamento sintomático inclui anti-histamínicos orais para o prurido e, em alguns casos, corticosteroides tópicos ou sistêmicos para reduzir a inflamação. O prognóstico é geralmente bom para as formas leves, com resolução completa após a retirada do fármaco. No entanto, as reações graves podem ser fatais e exigem manejo hospitalar e suporte intensivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas mais comuns de uma farmacodermia?

Os sinais e sintomas mais comuns de farmacodermia incluem prurido, eritema, lesões maculopapulares, urticária e angioedema. A apresentação pode variar de leve a grave, com lesões disseminadas pelo corpo e, em casos graves, envolvimento sistêmico.

Qual a conduta inicial mais importante em caso de suspeita de farmacodermia?

A conduta inicial mais importante é a suspensão imediata do medicamento suspeito. Em seguida, o tratamento é sintomático, geralmente com anti-histamínicos orais para aliviar o prurido. Corticosteroides tópicos ou sistêmicos podem ser usados em casos mais extensos ou graves.

Como diferenciar uma farmacodermia de outras condições dermatológicas?

A diferenciação baseia-se na história clínica detalhada, incluindo o início do uso de novos medicamentos e a cronologia do surgimento das lesões. A ausência de febre, linfadenopatia ou outros sintomas sistêmicos graves ajuda a descartar reações mais sérias como a doença do soro ou anafilaxia, e a apresentação morfológica das lesões ajuda a distinguir de dermatites atópicas ou de contato.

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