Farmacocinética em Idosos: Impacto do Envelhecimento

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2023

Enunciado

Em relação ao cuidado do idoso hospitalizado, é essencial que o Enfermeiro, como profissional de saúde, reconheça os princípios básicos de farmacologia e do processo de envelhecimento, para que o processo de cuidar em enfermagem e a tomada de decisões sejam planejados de acordo com as necessidades da pessoa idosa. Nessa perspectiva, marque a alternativa CORRETA em relação ao uso de medicamentos e à pessoa idosa:

Alternativas

  1. A) Um dos problemas relacionados à farmacocinética em pessoas idosas se refere à absorção; o processo de excreção só será afetado se o indivíduo tiver insuficiência renal.
  2. B) As alterações significativas do uso inapropriado de medicamentos por idosos estão relacionadas exclusivamente ao aumento da absorção de fármacos.
  3. C) Há alterações significativas da absorção, distribuição, metabolismo e excreção de fármacos com o avançar da idade, inferindo sobre a farmacocinética de alguns medicamentos, principalmente quando associadas à redução da taxa de filtração glomerular entre pessoas idosas.
  4. D) A polifarmácia não se pauta na farmacocinética nem na farmacodinâmica, o problema da polifarmácia é que os idosos ingerem mais de dois medicamentos sem necessidade.

Pérola Clínica

Envelhecimento → altera absorção, distribuição, metabolismo e excreção de fármacos, exigindo ajuste de dose.

Resumo-Chave

O processo de envelhecimento impacta todas as fases da farmacocinética (absorção, distribuição, metabolismo e excreção) devido a alterações fisiológicas como redução do fluxo sanguíneo esplâncnico, diminuição da massa magra e água corporal total, redução da função hepática e, principalmente, da taxa de filtração glomerular, o que exige cautela e ajuste de doses em idosos.

Contexto Educacional

A farmacocinética em idosos é um campo de estudo crucial para a prática clínica, especialmente no contexto da polifarmácia e da fragilidade. O envelhecimento é um processo fisiológico que acarreta diversas alterações nos sistemas orgânicos, impactando diretamente a forma como o corpo absorve, distribui, metaboliza e excreta os medicamentos. Compreender essas mudanças é fundamental para a prescrição segura e eficaz em pacientes geriátricos, minimizando o risco de eventos adversos e otimizando os resultados terapêuticos. Na absorção, embora as alterações sejam menos clinicamente significativas, pode haver redução do fluxo sanguíneo esplâncnico e da motilidade gastrointestinal. A distribuição é notavelmente alterada pela diminuição da massa magra e da água corporal total, e pelo aumento da gordura corporal, afetando o volume de distribuição de fármacos hidrofílicos e lipofílicos. O metabolismo hepático pode ser reduzido devido à diminuição do fluxo sanguíneo hepático e da atividade enzimática. Contudo, a excreção renal é a fase mais consistentemente e significativamente afetada, com a redução progressiva da taxa de filtração glomerular e do fluxo sanguíneo renal, mesmo em idosos sem doença renal aparente. Essas alterações farmacocinéticas implicam que doses habituais de medicamentos podem resultar em concentrações plasmáticas mais elevadas e maior tempo de meia-vida em idosos, aumentando o risco de toxicidade. Portanto, é imperativo que os profissionais de saúde realizem uma avaliação individualizada da função renal (usando fórmulas como Cockcroft-Gault para estimar o clearance de creatinina), ajustem as doses conforme necessário e monitorem de perto os efeitos terapêuticos e adversos, especialmente para fármacos com estreita janela terapêutica.

Perguntas Frequentes

Como a absorção de fármacos é afetada em idosos?

A absorção de fármacos em idosos pode ser ligeiramente alterada devido à redução do fluxo sanguíneo esplâncnico, diminuição da acidez gástrica e lentificação do esvaziamento gástrico, embora essas mudanças geralmente tenham menor impacto clínico comparado a outras fases.

Quais são as principais alterações na distribuição de fármacos em idosos?

Em idosos, há uma diminuição da massa magra e da água corporal total, e um aumento da gordura corporal. Isso resulta em menor volume de distribuição para fármacos hidrofílicos e maior volume para lipofílicos, além de menor ligação a proteínas plasmáticas, aumentando a fração livre do fármaco.

Por que a excreção renal é crucial na farmacocinética geriátrica?

A excreção renal é significantemente afetada em idosos devido à redução da taxa de filtração glomerular e do fluxo sanguíneo renal. Isso leva ao acúmulo de fármacos eliminados pelos rins, exigindo frequentemente ajuste de dose para evitar toxicidade.

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