SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Paciente em uso de sertralina, há 1 ano, comparece a sua consulta pré-natal no segundo trimestre de gestação, referindo aumento da sensação de tristeza, adinamia e choro. Quais das alterações fisiológicas da gravidez abaixo referidas, podem justificar sua queixa?
Gravidez altera farmacocinética de drogas (ex: Sertralina) via enzimas P450 e N-acetiltransferase, podendo ↓ eficácia e ↑ sintomas depressivos.
As alterações fisiológicas da gravidez, como o aumento da atividade de algumas enzimas do citocromo P450 e N-acetiltransferase, podem acelerar o metabolismo de medicamentos como a sertralina, resultando em concentrações séricas mais baixas e, consequentemente, em uma redução da eficácia terapêutica, levando ao retorno dos sintomas depressivos.
A depressão na gravidez é uma condição comum e séria, que afeta a saúde materna e fetal. O tratamento com antidepressivos, como a sertralina (um inibidor seletivo da recaptação de serotonina - ISRS), é frequentemente necessário. No entanto, a gravidez induz profundas alterações fisiológicas que podem impactar significativamente a farmacocinética dos medicamentos, alterando sua absorção, distribuição, metabolismo e excreção. As alterações farmacocinéticas na gestação incluem aumento do volume plasmático, aumento do débito cardíaco, aumento da taxa de filtração glomerular e, crucialmente, modificações na atividade das enzimas hepáticas do citocromo P450 (CYP) e N-acetiltransferase. Algumas isoenzimas CYP têm sua atividade aumentada, enquanto outras podem diminuir, levando a um metabolismo mais rápido ou mais lento de diferentes drogas. No caso da sertralina, o aumento da atividade de certas enzimas CYP pode acelerar seu metabolismo, resultando em concentrações séricas mais baixas e, consequentemente, em uma redução da eficácia terapêutica. Isso pode justificar a recorrência ou piora dos sintomas depressivos na gestante, mesmo com a manutenção da dose habitual. É fundamental que o médico esteja ciente dessas alterações para ajustar a terapia e garantir o controle adequado dos sintomas durante toda a gestação.
A gravidez pode alterar o metabolismo de medicamentos devido a mudanças na atividade de enzimas hepáticas (como as do citocromo P450) e outras vias metabólicas, resultando em maior depuração e menores concentrações séricas de algumas drogas.
Além das alterações metabólicas, a gravidez causa aumento do volume plasmático, aumento da taxa de filtração glomerular, diminuição da concentração de albumina sérica (afetando a ligação proteica) e alterações no esvaziamento gástrico e trânsito intestinal.
A conduta deve incluir uma reavaliação da dose da sertralina, considerando a possibilidade de aumento devido ao metabolismo acelerado, além de suporte psicoterapêutico e monitoramento rigoroso da paciente.
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