Faringoamigdalite Estreptocócica: Diagnóstico e Conduta

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023

Enunciado

Pré-adolescente do sexo masculino de 10 anos de idade é levado à emergência por odinofagia e febre, aferida em até 39°C ha 3 dias. Está em uso de cetoprofeno de 12/12 horas, sem melhora. Relata uso de amoxicilina há 2 meses para tratamento de otite média aguda. Ao exame clínico, apresenta-se em bom estado geral, corado, hidratado, sinais vitais estáveis. Linfonodos cervicais de cerca de 1cm, palpáveis em cadeias cervicais anteriores bilateralmente, sem sinais flogísticos. À oroscopia, notam-se tonsilas hipertrofiadas, hiperemiadas, com placas esbranquiçadas e petéquias em palato mole. Não apresenta lesões de pele. Otoscopia sem alterações. Restante do exame clínico sem alterações. Diante do exposto, qual é a conduta?

Alternativas

  1. A) Realizar strep test. Se negativo, está indicada a realização de cultura de orofaringe, e a antibioticoterapia pode ser introduzida após o seu resultado.
  2. B) Deve-se iniciar a antibioticoterapia com amoxicilina + clavulanato até o sétimo dia de doença, para evitar glomerulonefrite.
  3. C) Não há necessidade de realização de exame laboratorial para o diagnóstico, e o antibiótico de escolha neste caso é amoxicilina + clavulanato.
  4. D) A ausência de coriza ou tosse exclui a possibilidade de etiologia viral, logo deve-se prescrever penicilina benzatina no pronto-socorro.

Pérola Clínica

Suspeita de faringoamigdalite estreptocócica → strep test. Se negativo, cultura para confirmação.

Resumo-Chave

Em casos de faringoamigdalite com alta suspeita de etiologia estreptocócica (baseado nos critérios de Centor), o teste rápido para antígeno estreptocócico (strep test) é a conduta inicial. Se o strep test for negativo, a cultura de orofaringe é indicada para confirmar ou excluir a infecção, evitando o uso desnecessário de antibióticos e suas consequências, como resistência bacteriana.

Contexto Educacional

A faringoamigdalite é uma condição comum na pediatria, e a distinção entre etiologia viral e bacteriana (principalmente por Streptococcus pyogenes, ou Estreptococo beta-hemolítico do grupo A - EBHGA) é fundamental para o manejo. A infecção por EBHGA é importante devido ao risco de complicações não supurativas, como febre reumática e glomerulonefrite pós-estreptocócica, que podem ser prevenidas com antibioticoterapia adequada. No caso apresentado, o paciente de 10 anos com odinofagia, febre alta, tonsilas hiperemiadas com placas esbranquiçadas e petéquias em palato mole, além de ausência de coriza ou tosse, preenche vários critérios de Centor modificados, elevando a suspeita de faringoamigdalite estreptocócica. Nesses casos, a conduta ideal é a realização de um teste rápido para antígeno estreptocócico (strep test). Se o strep test for positivo, a antibioticoterapia (geralmente penicilina ou amoxicilina) deve ser iniciada. Se for negativo, especialmente em crianças e adolescentes, a cultura de orofaringe é recomendada para confirmar ou excluir a infecção, devido à sensibilidade imperfeita do teste rápido. É um erro comum iniciar antibioticoterapia empírica sem confirmação laboratorial, pois a maioria das faringoamigdalites é de etiologia viral. O uso indiscriminado de antibióticos contribui para a resistência bacteriana e expõe o paciente a efeitos adversos. A ausência de coriza ou tosse, embora sugestiva de etiologia bacteriana, não exclui completamente a viral e não justifica a prescrição imediata de penicilina benzatina sem confirmação laboratorial, especialmente quando há opções de teste rápido e cultura.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios clínicos que sugerem faringoamigdalite estreptocócica?

Os critérios de Centor modificados incluem: exsudato tonsilar, linfonodos cervicais anteriores dolorosos, ausência de tosse, história de febre e idade (3-14 anos). A presença de petéquias em palato mole também é um sinal sugestivo.

Qual a importância do strep test no diagnóstico da faringoamigdalite?

O strep test (teste rápido para antígeno estreptocócico) é crucial para um diagnóstico rápido e direcionado. Ele permite iniciar o tratamento antibiótico precocemente em casos positivos, prevenindo complicações como febre reumática, e evitar o uso desnecessário de antibióticos em casos negativos.

Quando a cultura de orofaringe é indicada para faringoamigdalite?

A cultura de orofaringe é indicada principalmente quando o strep test é negativo em crianças e adolescentes com alta suspeita clínica de faringoamigdalite estreptocócica. Isso ocorre porque o strep test, embora específico, tem sensibilidade variável, e a cultura é considerada o padrão-ouro para confirmação.

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