UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2023
A dor de garganta apresenta-se na medicina de família e comunidade como um sintoma relevante pela sua frequência que é alta e suas consequências na incidência da febre reumática. Um grande desafio para o médico de família é decidir, após examinar uma criança, qual medicação deverá ser prescrita. Ana tem 9 anos, veio à unidade de saúde referindo dor de garganta aguda, que dói ao deglutir, e febre de 38,5°C. Refere ter apresentado os mesmos sintomas 3 vezes no último ano. Ao exame: tonsilas hiperemiadas e com exsudato, presença de linfonodos cervicais aumentados e dolorosos. Assinale a alternativa que apresenta a medicação mais indicada para o tratamento do problema de Ana.
Faringoamigdalite estreptocócica em criança com critérios de Centor → Penicilina benzatina para prevenir febre reumática.
A faringoamigdalite estreptocócica, causada pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), é a principal causa bacteriana de dor de garganta em crianças e a única que requer tratamento antibiótico para prevenir a febre reumática. Os critérios de Centor modificados auxiliam na decisão de testar e tratar. A penicilina benzatina é a escolha de primeira linha devido à sua eficácia e adesão.
A faringoamigdalite aguda é uma das queixas mais comuns na atenção primária, especialmente em crianças. Embora a maioria dos casos seja de etiologia viral, a infecção pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A - EBHGA) é de particular importância devido ao risco de complicações graves, como a febre reumática aguda e a glomerulonefrite pós-estreptocócica. A identificação e o tratamento adequados da faringoamigdalite estreptocócica são fundamentais para prevenir essas sequelas. O diagnóstico clínico da faringoamigdalite estreptocócica pode ser desafiador, pois os sintomas se sobrepõem aos das infecções virais. Os critérios de Centor modificados (exsudato tonsilar, linfonodos cervicais anteriores dolorosos, ausência de tosse, história de febre e idade) auxiliam na estratificação do risco. Em pacientes com alta probabilidade, a confirmação pode ser feita por teste rápido de detecção de antígeno ou cultura de orofaringe. O tratamento de escolha para a faringoamigdalite estreptocócica é a penicilina, devido à sua eficácia, baixo custo e ausência de resistência do EBHGA. A penicilina benzatina, administrada em dose única intramuscular, é preferível em muitos contextos por garantir a adesão completa ao tratamento e a erradicação do microrganismo, prevenindo assim a febre reumática. Para pacientes alérgicos à penicilina, a eritromicina ou outros macrolídeos podem ser utilizados.
Os critérios de Centor modificados incluem: exsudato tonsilar, linfonodos cervicais anteriores dolorosos, ausência de tosse, história de febre e idade (3-14 anos). A presença de 3 ou mais critérios aumenta a probabilidade de infecção estreptocócica.
A penicilina benzatina é a medicação de escolha por ser altamente eficaz contra o Streptococcus pyogenes, ter baixo custo e, principalmente, por garantir a erradicação bacteriana e a prevenção da febre reumática com uma única dose intramuscular, melhorando a adesão ao tratamento.
O tratamento adequado da faringoamigdalite estreptocócica é crucial para prevenir complicações graves não supurativas, como a febre reumática aguda e a glomerulonefrite pós-estreptocócica, além de reduzir a duração dos sintomas e a transmissão da bactéria.
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