Faringite Estreptocócica: Tratamento Correto e Mitos sobre Penicilina

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021

Enunciado

Acerca das doenças infecciosas em pediatria, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A síndrome da rubéola congênita apresenta-se mais comumente com anomalias, manifestações oftalmológicas, cardíacas, auditivas e ou neurológicas.
  2. B) A infecção pelo parvovírus B19 é conhecida mais comumente com eritema infeccioso ou como a ''quinta doença'', com distribuição mundial e cujo único hospedeiro é o ser humano.
  3. C) A infecção pelo herpes vírus tipo 6 apresenta-se clinicamente como roséola ou exantema súbito em aproximadamente 20% das crianças infectadas, podendo ocasionar convulsão febril em 10 a 15% das infecções primárias e, mais raramente, encefalite.
  4. D) No tratamento da faringite causada pelo estreptococo do Grupo A, a droga de primeira escolha é amoxicilina com clavulonato, devido ao alto grau de resistência dessa bactéria às penicilinas, não devendo se fazer a penicilina benzatina pelo risco maior de reação anafilática.

Pérola Clínica

Faringite estreptocócica → Penicilina (benzatina ou oral) é 1ª escolha; resistência a penicilinas é rara.

Resumo-Chave

A faringite causada pelo Estreptococo do Grupo A (Streptococcus pyogenes) tem como tratamento de primeira escolha a penicilina (oral ou benzatina), pois a resistência a essa classe de antibióticos é extremamente rara e não há justificativa para o uso de amoxicilina com clavulanato como rotina. O risco de reação anafilática à penicilina benzatina, embora existente, não impede seu uso quando indicado.

Contexto Educacional

As doenças infecciosas em pediatria são um campo vasto e de grande importância na prática clínica e em provas de residência. É fundamental que o residente conheça as características epidemiológicas, clínicas e terapêuticas das infecções mais comuns. A questão aborda pontos cruciais sobre rubéola congênita, parvovírus B19, herpes vírus tipo 6 e faringite estreptocócica. A Síndrome da Rubéola Congênita é uma condição grave resultante da infecção materna pelo vírus da rubéola durante a gestação, especialmente no primeiro trimestre, levando a malformações congênitas múltiplas, como catarata, cardiopatias (persistência do canal arterial, estenose da artéria pulmonar), surdez neurossensorial e microcefalia. O Parvovírus B19 é o agente etiológico do eritema infeccioso (quinta doença), caracterizado por um exantema facial em "bochechas esbofeteadas" e um rash reticulado no tronco e membros, sendo o ser humano seu único hospedeiro. O Herpes Vírus Humano tipo 6 (HHV-6) é a principal causa da roséola infantil (exantema súbito), que se manifesta com febre alta seguida por um rash maculopapular, podendo causar convulsões febris. A alternativa incorreta reside no tratamento da faringite estreptocócica. O Streptococcus pyogenes (Estreptococo do Grupo A) permanece altamente sensível às penicilinas, tornando a penicilina benzatina (dose única intramuscular) ou penicilina V oral (por 10 dias) as drogas de primeira escolha. Não há evidências de alto grau de resistência às penicilinas que justifique o uso rotineiro de amoxicilina com clavulanato, que possui um espectro mais amplo e maior potencial para efeitos adversos e resistência bacteriana. O risco de reação anafilática à penicilina, embora real, é baixo e não contraindica seu uso quando indicado e sem história prévia de alergia grave.

Perguntas Frequentes

Qual é o tratamento de primeira escolha para faringite estreptocócica em pediatria?

O tratamento de primeira escolha para faringite estreptocócica é a penicilina, seja penicilina benzatina intramuscular em dose única ou penicilina V oral por 10 dias, devido à sua eficácia e baixa resistência do Streptococcus pyogenes.

Por que a amoxicilina com clavulanato não é a primeira escolha para faringite estreptocócica?

A amoxicilina com clavulanato não é a primeira escolha porque o Streptococcus pyogenes não desenvolveu resistência significativa às penicilinas. O uso de antibióticos de espectro mais amplo como amoxicilina-clavulanato deve ser reservado para infecções com bactérias produtoras de beta-lactamase.

Quais são as principais manifestações da síndrome da rubéola congênita e do eritema infeccioso?

A síndrome da rubéola congênita classicamente apresenta-se com catarata, cardiopatia congênita (PCA, estenose pulmonar), surdez neurossensorial e microcefalia. O eritema infeccioso (parvovírus B19) é conhecido pelo "sinal da bochecha esbofeteada" e rash reticulado no tronco e membros.

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