Demência em Idosos: Diagnóstico Diferencial e Avaliação

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2021

Enunciado

Familiares de uma idosa de 82 anos, hospitalizada por pielonefrite aguda, pedem que ela seja avaliada por psiquiatra antes da alta, devido a problemas de conduta no último ano. A mesma vive sozinha após a viuvez há 05 anos, mas no último ano está mais repetitiva, esquece recados e compromissos familiares, perdeu o prazo para pagamento de contas e não utiliza mais os antihipertensivos. Colidiu com seu automóvel na garagem há 6 meses, parando de dirigir desde então. Também deixou de fazer compras, foi encontrada perambulando na vizinhança de madrugada sem saber retornar ao domicílio. Na semana anterior à internação, agrediu uma vizinha após acusá-la de roubo, com geração inclusive de boletim de ocorrência. Foi encontrada caída em casa, torporosa e com urina nas roupas, sendo trazida ao hospital há 06 dias. O domicílio se encontra mal organizado, com acúmulo de roupas e objetos em duplicata, além de mau estado de limpeza local. Com relação aos prováveis diagnósticos para o caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Delirium se caracteriza por confusão mental, como no caso da idosa, a perambulação noturna sendo um padrão esperado, portanto, é o diagnóstico que explica toda a sintomatologia.
  2. B) Os sintomas neuropsiquiátricos e comportamentais presentes do quadro, principalmente a agressividade, indicam a hipótese de psicose tardia como a mais provável.
  3. C) A investigação complementar do quadro auxilia para exclusão de outros distúrbios causadores de incapacidade cognitiva, enquanto a testagem da cognição pode ser útil para ajudar a distinguir a doença de Alzheimer de outras causas de demência.
  4. D) Depressão maior após viuvez assim como demência fronto temporal com agressividade são diagnósticos diferenciais possíveis.
  5. E) Como a paciente apresenta atualmente estágio grave de demência tipo Alzheimer, a disfunção colinérgica que se instalou impõe tratamento farmacológico com as drogas antidemenciais, donepezila ou rivastigmina.

Pérola Clínica

Idoso com declínio cognitivo agudo/subagudo + infecção → Investigar delirium e outras causas reversíveis antes de firmar demência.

Resumo-Chave

O caso descreve um idoso com declínio cognitivo e funcional progressivo, mas também um episódio agudo de pielonefrite. É crucial investigar causas reversíveis de confusão (delirium) e realizar uma avaliação cognitiva completa para diferenciar tipos de demência e excluir outras condições que mimetizam ou exacerbam o quadro.

Contexto Educacional

O declínio cognitivo em idosos é um desafio diagnóstico complexo, pois pode ser causado por diversas condições. É fundamental diferenciar entre delirium, demência e depressão, que frequentemente coexistem ou se mimetizam. Delirium é uma emergência médica, caracterizada por um início agudo e flutuante da alteração da atenção e cognição, geralmente precipitada por uma doença sistêmica (como a pielonefrite no caso). A demência, por sua vez, é um declínio cognitivo crônico e progressivo que interfere nas atividades de vida diária. A Doença de Alzheimer é a causa mais comum, mas outras demências incluem a demência vascular, demência frontotemporal e demência com corpos de Lewy. A depressão na velhice pode apresentar sintomas cognitivos que mimetizam a demência, sendo por vezes chamada de 'pseudodemência depressiva'. A abordagem diagnóstica envolve uma anamnese detalhada com familiares, exame físico completo, avaliação cognitiva (ex: Mini-Exame do Estado Mental, MoCA), exames laboratoriais para excluir causas reversíveis (hemograma, função renal e hepática, eletrólitos, TSH, B12, sífilis) e neuroimagem (TC ou RM de crânio) para identificar causas estruturais ou padrões de atrofia. O tratamento é direcionado à causa subjacente e ao manejo sintomático.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre delirium e demência em idosos?

Delirium é uma alteração aguda e flutuante da atenção e cognição, geralmente causada por uma condição médica subjacente (infecção, desidratação). Demência é um declínio cognitivo crônico e progressivo que afeta a funcionalidade, sem alteração aguda do nível de consciência.

Por que é importante investigar causas reversíveis de declínio cognitivo em idosos?

É crucial investigar causas reversíveis de declínio cognitivo, como delirium (infecções, distúrbios metabólicos, medicamentos), depressão, deficiências vitamínicas ou hipotireoidismo, pois o tratamento dessas condições pode reverter ou melhorar significativamente os sintomas cognitivos.

Como a avaliação cognitiva pode auxiliar no diagnóstico diferencial das demências?

A avaliação cognitiva detalhada, incluindo testes neuropsicológicos, pode ajudar a identificar padrões específicos de déficits cognitivos que são característicos de diferentes tipos de demência (ex: memória na doença de Alzheimer, função executiva na demência frontotemporal), auxiliando no diagnóstico diferencial.

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