UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente vivendo com HIV/AIDS (PVHA), masculino, com 32 anos de idade, vem à consulta. Está assintomático, embora bastante ansioso. Refere fazer uso da mesma terapia antirretroviral (TARV), tenofovir/lamivudina/efavirenz, desde o início do seu tratamento em 2014. Traz exames feitos há 15 dias com linfócitos T CD4=600 células/mm³ e carga viral (CV) do HIV1=550 cópias/mL. O paciente perdeu os exames prévios, mas refere que sua CV sempre foi indetectável e ficou surpreso com os exames atuais. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA.
PVHA com CV detectável após indetectável → investigar adesão, interações, absorção e repetir CV antes de trocar TARV.
Uma carga viral detectável em um paciente com HIV/AIDS que estava indetectável e em uso de TARV por longo tempo requer uma investigação cuidadosa. Antes de considerar falha virológica e troca de esquema, é crucial descartar fatores como baixa adesão, interações medicamentosas, problemas de absorção e a possibilidade de um 'blip' virológico transitório, que é confirmado com uma segunda carga viral.
O manejo de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (PVHA) em Terapia Antirretroviral (TARV) exige monitoramento contínuo da carga viral (CV) e contagem de linfócitos T CD4. A detecção de uma carga viral que se torna detectável após um período de supressão viral (indetectável) é um evento que demanda atenção e investigação cuidadosa, sendo um ponto crucial para residentes. É fundamental diferenciar entre um 'blip' virológico e uma falha virológica real. Um 'blip' é uma elevação transitória da CV, geralmente abaixo de 1.000 cópias/mL, que não indica falha do tratamento e frequentemente se resolve espontaneamente. A falha virológica, por outro lado, é a incapacidade de manter a CV abaixo do limite de detecção ou um rebote persistente da viremia, e pode ser causada por diversos fatores. Antes de considerar a troca do esquema de TARV, é imperativo investigar a adesão do paciente ao tratamento, possíveis interações medicamentosas (especialmente com efavirenz, que pode ter interações com diversos fármacos), problemas de absorção gastrointestinal dos antirretrovirais e a presença de outras condições clínicas. A conduta inicial mais apropriada é solicitar uma segunda carga viral para confirmar a persistência da viremia. Se a segunda CV também for detectável, então a investigação deve prosseguir com genotipagem para resistência e avaliação mais aprofundada das causas. A troca precipitada da TARV sem uma investigação completa pode levar a escolhas terapêuticas inadequadas e ao desenvolvimento de resistência a mais classes de medicamentos, complicando o manejo futuro do paciente.
Um 'blip' virológico é uma elevação transitória e de baixo nível da carga viral do HIV (geralmente < 1.000 cópias/mL) em pacientes que estavam com carga viral indetectável, sem que haja falha terapêutica real. Geralmente, a carga viral retorna à indetectabilidade espontaneamente.
As principais causas incluem baixa adesão à TARV, interações medicamentosas, problemas de absorção dos antirretrovirais, resistência viral aos medicamentos e, menos comumente, infecções oportunistas graves.
A troca da TARV é considerada após a confirmação de falha virológica persistente (duas cargas virais detectáveis consecutivas, com adesão adequada), evidência de resistência aos medicamentos em uso ou toxicidade inaceitável.
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