ENARE/ENAMED — Prova 2023
Uma criança em idade escolar está em antibioticoterapia, há 48 horas, por pneumonia bacteriana. Ela é levada ao hospital para reavaliação, pois não teve melhora da curva térmica, está prostrada e com perda de apetite. Ao exame físico, apresenta diminuição do murmúrio vesicular em base esquerda e tem bom padrão respiratório, apesar de manter uma posição antálgica em escoliose. Qual, entre as seguintes, é a conduta mais indicada no momento?
Pneumonia bacteriana sem melhora em 48-72h + sinais de piora → reavaliar com imagem (RX tórax) para complicação.
A ausência de melhora clínica em 48-72 horas de antibioticoterapia adequada para pneumonia bacteriana, especialmente com sinais de piora como prostração e achados focais no exame físico (diminuição de murmúrio vesicular), sugere falha terapêutica ou complicação. Nesses casos, a investigação com radiografia de tórax é fundamental para identificar complicações como derrame pleural, empiema ou abscesso pulmonar.
A pneumonia bacteriana em crianças é uma causa comum de morbidade e mortalidade, sendo o diagnóstico e tratamento precoces fundamentais. A maioria das crianças responde bem à antibioticoterapia inicial em 48-72 horas. No entanto, a falha terapêutica, definida pela ausência de melhora clínica ou piora do quadro após esse período, exige uma reavaliação cuidadosa para identificar possíveis complicações ou resistência antimicrobiana. A fisiopatologia da falha terapêutica pode envolver a formação de coleções pleurais (derrame pleural, empiema), abscesso pulmonar, ou infecção por germes atípicos ou resistentes. O exame físico pode revelar sinais como diminuição do murmúrio vesicular, macicez à percussão e posição antálgica, sugerindo derrame pleural. Nesses casos, a radiografia de tórax é o exame de imagem de primeira linha para confirmar a presença e extensão de complicações, orientando a conduta subsequente. O tratamento da pneumonia complicada pode envolver a troca ou ajuste do antibiótico, drenagem de coleções pleurais (toracocentese, drenagem torácica), ou, em casos mais graves, cirurgia. É crucial não apenas trocar o antibiótico empiricamente sem uma reavaliação diagnóstica, pois isso pode atrasar o manejo adequado de complicações que exigem intervenções além da farmacoterapia.
Sinais de alerta incluem ausência de melhora da febre após 48-72 horas de antibiótico, piora do estado geral, prostração, aumento do desconforto respiratório, ou surgimento de novos achados focais no exame físico.
A radiografia de tórax é crucial para identificar complicações da pneumonia, como derrame pleural, empiema, abscesso pulmonar ou atelectasia, que podem não ser detectadas apenas pelo exame físico e requerem intervenções específicas.
As principais complicações incluem derrame pleural parapneumônico, empiema, abscesso pulmonar, necrose pulmonar, pneumatocele e, menos comumente, sepse.
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