SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Pré-escolar, 4 anos, em tratamento ambulatorial de pneumonia, retorna 48 horas após início da antibioticoterapia com amoxicilina, para reavaliação clínica. Mãe relata alguma melhora do apetite, porém persiste com febre. Nega comorbidades. Ao exame: hidratado, FC: 120bpm, FR: 45irpm, sem tiragens, SatO2: 96% em ar ambiente, frêmito tóraco-vocal e murmúrio vesicular diminuídos no ⅓ inferior do hemitórax direito. Qual a conduta mais indicada no momento?
Persistência de febre + MV ↓ em pneumonia tratada = suspeitar de complicação (derrame pleural) → internação e investigação.
A persistência de febre após 48h de antibioticoterapia adequada, associada a achados de exame físico como murmúrio vesicular diminuído, sugere falha terapêutica e possível complicação, como derrame pleural. Isso indica a necessidade de internação hospitalar para investigação (radiografia de tórax) e reavaliação da antibioticoterapia.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e seu manejo adequado é um desafio constante na pediatria. A maioria dos casos responde bem à antibioticoterapia ambulatorial, mas é crucial reconhecer os sinais de falha terapêutica e complicações. Neste caso, a persistência da febre após 48 horas de amoxicilina, juntamente com a diminuição do murmúrio vesicular e frêmito tóraco-vocal no hemitórax direito, são fortes indicativos de falha terapêutica e sugerem a presença de um derrame pleural parapneumônico. A conduta correta é a internação hospitalar para investigação com radiografia de tórax e, se confirmado o derrame, avaliar a necessidade de toracocentese. A antibioticoterapia deve ser revisada, e ampicilina é uma opção para pneumonia grave em ambiente hospitalar. A identificação precoce de complicações como o derrame pleural é vital para evitar desfechos desfavoráveis. Residentes devem estar atentos aos sinais de alerta e saber quando escalar o tratamento de ambulatorial para hospitalar, garantindo a segurança e a recuperação do paciente pediátrico.
Critérios incluem idade < 2 meses, hipoxemia (SatO2 < 92%), desconforto respiratório grave, desidratação, incapacidade de ingerir líquidos, falha terapêutica ambulatorial e comorbidades.
Suspeita-se de derrame pleural quando há persistência de febre, dor torácica, diminuição do murmúrio vesicular, macicez à percussão e diminuição do frêmito tóraco-vocal.
A conduta inicial envolve a internação, radiografia de tórax para confirmar e avaliar a extensão, e considerar a toracocentese diagnóstica e terapêutica, além de otimizar a antibioticoterapia.
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