UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Menino, 4 anos de idade, portador de doença renal crônica estágio 3b por displasia renal, apresenta falha de crescimento persistente, definida como estatura abaixo do 3º percentil para a idade e sexo, e velocidade de crescimento abaixo do 25º percentil nos últimos 6 meses. Trouxe exames na consulta de rotina: creatinina = 1,4 mg/dL, ureia = 68 mg/dL, sódio = 138 mmol/L, HCO₃⁻ = 24 mmol/L, hemoglobina = 12 g/dL, vitamina D = 35 ng/mL, PTH = 110 pg/ml. Qual é a conduta adequada?
Falha de crescimento em DRC pediátrica → otimizar aporte calórico/proteico antes de GH ou Terapia Renal Substitutiva.
A falha de crescimento em crianças com Doença Renal Crônica (DRC) é multifatorial, mas a desnutrição energética-proteica é uma causa primária e frequentemente subestimada. Antes de considerar terapias mais complexas como hormônio de crescimento ou diálise, é fundamental otimizar o aporte nutricional.
A Doença Renal Crônica (DRC) em crianças é uma condição complexa que afeta múltiplos sistemas, sendo a falha de crescimento uma das complicações mais prevalentes e impactantes na qualidade de vida. A etiologia da falha de crescimento é multifatorial, envolvendo fatores nutricionais, metabólicos, endócrinos e inflamatórios. A identificação e o manejo desses fatores são essenciais para otimizar o potencial de crescimento da criança. Neste caso, apesar de alguns exames estarem alterados (PTH levemente elevado, vitamina D no limite inferior da normalidade, ureia elevada), o bicarbonato está normal (24 mmol/L) e a hemoglobina também (12 g/dL), indicando que a acidose metabólica e a anemia não são os fatores limitantes primários no momento. A falha de crescimento persistente, com estatura abaixo do 3º percentil, sugere uma necessidade urgente de otimização do aporte nutricional. A otimização do aporte proteico e calórico é a primeira linha de intervenção na falha de crescimento em crianças com DRC, pois a desnutrição energético-proteica é uma causa comum e reversível. Somente após a correção nutricional e de outras comorbidades (como acidose e anemia, se presentes) é que outras terapias, como o hormônio de crescimento, devem ser consideradas. A terapia de substituição renal é indicada em estágios mais avançados da DRC, quando as medidas conservadoras falham em manter a homeostase.
As causas são multifatoriais, incluindo desnutrição energética-proteica, acidose metabólica, anemia, resistência ao hormônio de crescimento, osteodistrofia renal e inflamação crônica. A desnutrição é frequentemente a mais prevalente e modificável.
A terapia com hormônio de crescimento é considerada em crianças com DRC e falha de crescimento que não respondem à otimização nutricional e correção de outras comorbidades, como acidose e anemia, e que não estão em estágio terminal da doença.
A acidose metabólica crônica pode levar à degradação proteica e inibir a ação do hormônio de crescimento. A deficiência de vitamina D e o hiperparatireoidismo secundário contribuem para a osteodistrofia renal, que também impacta negativamente o crescimento ósseo e a estatura final.
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