FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020
Paciente de 23 anos de idade, G=0 P=0 A=0, encontra-se em amenorreia há 8 meses, apresentando fogachos, insônia, irritabilidade e fadiga. De antecedentes pessoais, refere ter tido parotidite na infância e Tireoidite de Hashimoto, diagnosticada aos 18 anos, em tratamento e controlada. Seu perfil hormonal demonstrou: Prolactina, TSH, T4 livre normais e FSH elevado. Neste caso, qual a principal hipótese diagnóstica?
Amenorreia + FSH ↑ em < 40 anos + sintomas climatéricos → Falência Ovariana Prematura (FOP).
A Falência Ovariana Prematura (FOP) é caracterizada por amenorreia, sintomas de hipoestrogenismo e FSH elevado antes dos 40 anos. A associação com doenças autoimunes, como a Tireoidite de Hashimoto, é comum e reforça a suspeita diagnóstica.
A Falência Ovariana Prematura (FOP), também conhecida como Insuficiência Ovariana Primária (IOP), é definida pela perda da função ovariana antes dos 40 anos de idade. Afeta cerca de 1% das mulheres e é uma causa importante de infertilidade e sintomas climatéricos precoces, impactando significativamente a qualidade de vida. O reconhecimento precoce é fundamental para o manejo adequado e aconselhamento. A fisiopatologia da FOP envolve a depleção ou disfunção folicular. O diagnóstico é estabelecido pela presença de amenorreia por pelo menos 4 meses e dois níveis de FSH > 25-40 mUI/mL (geralmente > 40 mUI/mL) coletados com 4 semanas de intervalo, em mulheres com menos de 40 anos. A exclusão de outras causas de amenorreia, como gravidez, hiperprolactinemia e disfunção tireoidiana, é essencial. A associação com doenças autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto, é comum e deve ser investigada. O tratamento da FOP visa principalmente o alívio dos sintomas de hipoestrogenismo e a prevenção de complicações a longo prazo, como osteoporose e doenças cardiovasculares, através da terapia de reposição hormonal (TRH). O aconselhamento sobre fertilidade, incluindo opções como doação de óvulos, é crucial. O acompanhamento regular é necessário para monitorar a saúde óssea e cardiovascular.
A FOP se manifesta com amenorreia secundária, fogachos, insônia, irritabilidade e fadiga, mimetizando sintomas da menopausa em mulheres jovens.
O FSH elevado (> 25-40 mUI/mL em duas dosagens com 4 semanas de intervalo) é crucial para o diagnóstico, indicando falha ovariana primária e hipogonadismo hipergonadotrófico.
A FOP pode ser idiopática, genética (ex: Síndrome de Turner), ou autoimune, frequentemente associada a outras doenças autoimunes como a Tireoidite de Hashimoto.
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