Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2021
Mulher de 38 anos, IV gesta, já teve 3 partos normais e 1 abortamento, apresenta um quadro de ausência de menstruações há 6 meses. Fez o teste da progesterona que foi negativo. Deprivou quando associou estrogênio. As dosagens das gonadotrofinas se mostraram elevadas. O diagnóstico é:
Amenorreia + teste progesterona negativo + deprivação com estrogênio + gonadotrofinas elevadas = Falência Ovariana Prematura.
A paciente apresenta amenorreia secundária, teste de progesterona negativo (indicando ausência de estrogênio endógeno), deprivação com estrogênio (confirmando a capacidade do endométrio de responder ao estrogênio) e gonadotrofinas elevadas (FSH e LH), o que aponta para uma falha ovariana primária, ou seja, falência ovariana prematura.
A falência ovariana prematura (FOP), também conhecida como insuficiência ovariana primária, é definida pela perda da função ovariana antes dos 40 anos de idade, resultando em amenorreia, hipoestrogenismo e níveis elevados de gonadotrofinas. É uma causa importante de infertilidade e pode ter implicações significativas para a saúde da mulher. A fisiopatologia da FOP envolve a depleção ou disfunção dos folículos ovarianos. As causas são diversas, incluindo genéticas (síndrome de Turner, síndrome do X frágil), autoimunes, iatrogênicas (quimioterapia, radioterapia, cirurgia ovariana) ou idiopáticas. O diagnóstico é estabelecido pela tríade de amenorreia por pelo menos 4-6 meses, idade inferior a 40 anos e níveis de FSH elevados (geralmente > 25-40 mUI/mL em duas ocasiões com 4 semanas de intervalo). O manejo da FOP foca na reposição hormonal para aliviar os sintomas do hipoestrogenismo (ondas de calor, secura vaginal) e prevenir complicações a longo prazo, como osteoporose e doenças cardiovasculares. A questão da fertilidade é complexa e pode envolver técnicas de reprodução assistida com óvulos doados. O aconselhamento psicológico e o suporte são importantes devido ao impacto emocional da condição.
O teste da progesterona avalia a presença de estrogênio endógeno. Se negativo (sem sangramento), indica deficiência estrogênica. O teste do estrogênio-progesterona, ao induzir sangramento, confirma que o endométrio é responsivo ao estrogênio, direcionando a investigação para a causa da deficiência estrogênica (ovariana ou central).
Na falência ovariana, os ovários não respondem aos estímulos das gonadotrofinas. O hipotálamo e a hipófise, em um mecanismo de feedback negativo, detectam a baixa produção de estrogênio pelos ovários e aumentam a secreção de FSH e LH na tentativa de estimular os ovários, resultando em níveis elevados.
O principal diagnóstico diferencial é a falência ovariana prematura (ou menopausa precoce). Outras causas raras incluem resistência ovariana a gonadotrofinas ou condições genéticas que afetam a função ovariana. É crucial excluir causas iatrogênicas (quimioterapia, radioterapia) ou autoimunes.
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