Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2025
Uma paciente do sexo feminino, 59 anos, apresenta quadro de necrose cutânea e fístula entérica em região de ferida operatória após laparotomia. Em relação à falência de múltiplos órgãos (FMO) no contexto cirúrgico, assinale a correta:
Fístula entérica + necrose cutânea → alto risco FMO; suporte intensivo, nutrição e controle infecção são cruciais.
A Falência de Múltiplos Órgãos (FMO) no contexto cirúrgico é uma complicação grave, frequentemente precipitada por sepse e resposta inflamatória sistêmica. Fístulas entéricas, especialmente as de alto débito, e necrose cutânea são fatores de risco significativos, pois representam focos de infecção e perda de nutrientes. O suporte intensivo, incluindo nutrição adequada e controle rigoroso da infecção, é fundamental para prevenir a progressão para FMO.
A Falência de Múltiplos Órgãos (FMO) é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes cirúrgicos, especialmente aqueles com complicações pós-operatórias graves como sepse. Caracteriza-se pela disfunção progressiva de dois ou mais sistemas orgânicos, que não pode ser mantida sem intervenção. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada, que leva a lesão tecidual e disfunção celular em órgãos distantes do foco inicial. No contexto cirúrgico, fatores como grandes cirurgias, trauma, sepse, pancreatite, e complicações como fístulas entéricas e necrose cutânea, são gatilhos importantes para a FMO. Fístulas entéricas de alto débito, em particular, representam um desafio significativo devido à perda de nutrientes, eletrólitos e ao risco constante de infecção e contaminação peritoneal, que podem perpetuar a sepse e a inflamação sistêmica. A necrose cutânea, por sua vez, pode ser um foco de infecção e um sinal de isquemia tecidual generalizada. A prevenção e o manejo da FMO exigem uma abordagem intensiva e multidisciplinar. O suporte nutricional adequado, seja enteral ou parenteral, é crucial para manter a integridade da barreira intestinal e fornecer substratos para a recuperação. O controle rigoroso do foco infeccioso, através de drenagem, debridamento ou cirurgia, é imperativo. Além disso, a otimização hemodinâmica e o suporte de órgãos específicos são essenciais para interromper a cascata de disfunção orgânica e melhorar o prognóstico do paciente.
Fístulas entéricas, especialmente as de alto débito, aumentam significativamente o risco de FMO devido à perda de fluidos e eletrólitos, desnutrição e, principalmente, à contaminação peritoneal e sepse, que desencadeiam uma resposta inflamatória sistêmica.
Os pilares do tratamento incluem o controle do foco infeccioso (drenagem de abscessos, reparo de fístulas), suporte nutricional agressivo (enteral ou parenteral), otimização hemodinâmica, e manejo da resposta inflamatória sistêmica para evitar a disfunção orgânica progressiva.
Sim, a necrose cutânea, especialmente se extensa ou infectada, pode atuar como um foco de infecção e inflamação, contribuindo para a sepse e a Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS), que são precursores comuns da Falência de Múltiplos Órgãos.
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