Catarata após Cirurgia de Glaucoma: Riscos e Conduta

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012

Enunciado

Uma proporção significativa dos pacientes submetidos a cirurgia antiglaucomatosa fistulante desenvolve catarata. Assinale a alternativa correta em relação à realização da facoemulsificação em olhos com ampolas filtrantes funcionantes:

Alternativas

  1. A) A cirurgia de catarata deve ser indicada nos primeiros três meses após a cirurgia antiglaucomatosa para minimizar o risco de falência da ampola filtrante
  2. B) Deve-se optar pela confecção de túnel escleral em vez de incisão em córnea clara, buscando maior estabilidade da câmara anterior no peroperatório
  3. C) Apesar de ser uma complicação séria, a redução do tamanho da ampola filtrante é um evento raro após a cirurgia de facoemulsificação
  4. D) O mau controle da pressão intraocular no pré-operatório e a manipulação da íris durante a cirurgia estão relacionados com o risco de falência da ampola filtrante

Pérola Clínica

Faco pós-TREC → Risco de falência da ampola ↑ se PIO pré-op elevada ou manipulação excessiva da íris.

Resumo-Chave

A cirurgia de catarata em olhos com trabeculectomia prévia pode comprometer a função da ampola filtrante devido à inflamação pós-operatória, especialmente se houver manipulação da íris ou mau controle pressórico prévio.

Contexto Educacional

A formação de catarata é uma consequência comum e bem documentada após cirurgias filtrantes como a trabeculectomia (TREC). O desafio para o cirurgião é remover a catarata sem perder o controle pressórico alcançado pela TREC. Estudos mostram que a facoemulsificação pode reduzir a eficácia da ampola em uma porcentagem significativa de casos, elevando a PIO média em comparação ao nível pré-faco. A decisão sobre o momento da cirurgia deve considerar a estabilidade da ampola e a necessidade visual do paciente. O manejo cuidadoso da íris (Alternativa D correta) é crucial, pois a quebra da barreira hemato-aquosa libera mediadores inflamatórios que são os principais vilões da fibrose subconjuntival. Em alguns casos de alto risco, o uso intraoperatório de antimetabólitos (como a Mitomicina C) ou a revisão da ampola podem ser discutidos.

Perguntas Frequentes

Por que a facoemulsificação pode causar a falência da ampola filtrante?

A facoemulsificação induz uma resposta inflamatória intraocular com a liberação de citocinas e fatores de crescimento no humor aquoso. Essas substâncias pró-fibróticas podem migrar através do óstio da trabeculectomia para o espaço subconjuntival, estimulando a proliferação de fibroblastos e a formação de tecido cicatricial, o que leva ao fechamento da ampola filtrante e ao aumento da pressão intraocular.

Quais fatores de risco aumentam a chance de perda da ampola?

Os principais fatores de risco incluem o mau controle da pressão intraocular no período pré-operatório da catarata, a manipulação excessiva da íris durante a cirurgia (comum em pupilas pequenas de pacientes com glaucoma), tempo cirúrgico prolongado e inflamação pós-operatória persistente. Além disso, ampolas que já apresentam sinais de encapsulamento ou vascularização aumentada são mais propensas à falência definitiva após a facoemulsificação.

Qual a técnica recomendada para preservar a ampola filtrante?

Recomenda-se a realização da facoemulsificação através de uma incisão em córnea clara, o mais distante possível do sítio da trabeculectomia (geralmente temporal), para evitar a manipulação da conjuntiva superior. O uso criterioso de viscoelásticos, a minimização do tempo de ultrassom e o controle rigoroso da inflamação pós-operatória com corticoides tópicos potentes são estratégias essenciais para tentar preservar a funcionalidade da ampola.

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