FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2019
Fernando, 28 anos, previamente hígido, busca a UBS com queixa de fraqueza há cerca 1 mês. Segundo a descrição de Fernando a fraqueza é diária, dura praticamente o dia todo sem fatores de melhora ou piora. Apesar de não impedir as atividades de vida diária, vem tornando mais penoso o dia a dia. Questionado sobre sintomas adicionais, Fernando nega dispneia e dispneia paroxística noturna, nega tosse, nega febre, nega precordialgia, nega sintomas articulares e musculares, nega rash cutâneo, nega alterações de peso. Sem quaisquer alterações no exame físico. Ao tentar entender melhor o contexto dessa fraqueza, percebe-se que Fernando trabalha como bibliotecário, nega sobrecarga no trabalho. É casado e mora com a esposa, referindo bom relacionamento. Nega uso do álcool, tabaco ou outroas drogas. Faz cerca de 30 minutos de atividade física diariamente, dorme cerca de 6 a 7 horas por noite. A respeito da abordagem diagnóstica e tratamento da fraqueza na Atenção Primária à Saúde, é correto afirmar que, no caso de Fernando,
Fraqueza/fadiga crônica sem achados no exame físico → Revisar medicamentos em uso contínuo é etapa essencial na APS.
A fadiga é uma queixa comum na Atenção Primária. Em pacientes com fraqueza crônica sem achados no exame físico ou sintomas de alerta, a revisão da lista de medicamentos em uso contínuo é crucial, pois muitos fármacos podem causar fadiga como efeito adverso, e sua suspensão ou substituição pode resolver o quadro.
A fraqueza ou fadiga é uma das queixas mais frequentes na Atenção Primária à Saúde (APS), representando um desafio diagnóstico devido à sua etiologia multifatorial. Pode variar desde causas benignas e autolimitadas, como privação de sono ou estresse, até condições médicas graves. A abordagem inicial na APS deve ser sistemática, começando por uma anamnese detalhada e um exame físico completo para identificar sinais de alerta e direcionar a investigação. Em casos como o de Fernando, onde a fraqueza é crônica, sem sinais de alerta e com exame físico normal, é crucial expandir a anamnese para incluir aspectos do estilo de vida, saúde mental e, fundamentalmente, a revisão de todos os medicamentos em uso contínuo. Muitos fármacos, como betabloqueadores, ansiolíticos, antidepressivos, anti-histamínicos e opioides, são conhecidos por causar fadiga como efeito adverso. A identificação e, se possível, a substituição ou ajuste desses medicamentos podem ser a chave para a resolução do sintoma. A investigação laboratorial inicial deve ser direcionada pelos achados da anamnese e exame físico, evitando exames desnecessários. Exames como hemograma, glicemia, função tireoidiana e eletrólitos são frequentemente solicitados para excluir causas comuns. O tratamento empírico com suplementos (ex: ferro) só deve ser considerado se houver evidência laboratorial de deficiência. A abordagem na APS visa identificar causas tratáveis e, quando não há uma causa orgânica clara, oferecer suporte e estratégias de manejo para melhorar a qualidade de vida do paciente.
Diversos medicamentos podem causar fadiga, incluindo betabloqueadores, ansiolíticos (benzodiazepínicos), anticolinérgicos, antidepressivos (especialmente sedativos), anticonvulsivantes, anti-histamínicos de primeira geração e opioides. A revisão da medicação é fundamental na investigação da fadiga.
A fadiga requer investigação mais aprofundada ou encaminhamento quando acompanhada de sinais de alerta como perda de peso inexplicada, febre, linfonodomegalia, dispneia, dor torácica, sintomas neurológicos focais, ou quando há suspeita de doenças sistêmicas graves (ex: câncer, doenças autoimunes, insuficiência cardíaca).
A anamnese é a ferramenta mais importante na avaliação da fadiga. Ela deve ser detalhada, explorando o início, duração, padrão, fatores de melhora/piora, impacto nas atividades diárias, sintomas associados, histórico médico, uso de medicamentos, estilo de vida e fatores psicossociais, para guiar o diagnóstico diferencial e a conduta.
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