CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2023
Com relação às ponteiras utilizadas na facoemulsificação, considerando as mesmas condições e parâmetros do facoemulsificador, assinale a alternativa correta:
Ponteiras com maior angulação (ex: 45°) ↑ eficiência de corte; menores angulações ↑ vácuo e oclusão.
A eficiência de corte na facoemulsificação é otimizada por ponteiras com maior angulação de bisel, enquanto a capacidade de oclusão e vácuo depende da área de abertura.
A escolha da ponteira de facoemulsificação é uma decisão técnica baseada na densidade da catarata e na técnica cirúrgica preferida pelo cirurgião. O conhecimento da física dos fluidos e da mecânica do ultrassom é essencial para minimizar o dano endotelial e otimizar o tempo cirúrgico. Além da angulação, o diâmetro da ponteira (gauge) e o formato (retas vs. Kelman/curvas) também influenciam a cavitação e a estabilidade da câmara anterior. Residentes devem dominar esses conceitos para ajustar os parâmetros da máquina de faco de acordo com o instrumental utilizado.
A angulação da ponta (bisel) da ponteira de facoemulsificação determina o equilíbrio entre a eficiência de corte e a facilidade de oclusão. Ponteiras com maior angulação, como as de 45 ou 60 graus, possuem uma área de superfície de corte maior, o que aumenta a eficiência mecânica para fragmentar núcleos mais densos. Por outro lado, ponteiras com 0 ou 15 graus possuem uma abertura que é ocluída mais facilmente pelo material cristaliniano, permitindo que o vácuo da bomba (peristáltica ou Venturi) seja atingido mais rapidamente para manipulação de fragmentos.
O vácuo na facoemulsificação só é efetivo quando a ponteira está ocluída. Ponteiras com angulações menores (mais 'retas') facilitam a oclusão total da luz da ponteira pelo fragmento do núcleo. Uma vez ocluída, o fluxo para, e o vácuo sobe até o limite programado, permitindo a apreensão e o transporte do fragmento. Ponteiras muito anguladas exigem mais massa de núcleo para atingir a oclusão completa, o que pode tornar a apreensão de pequenos fragmentos menos eficiente em comparação com ponteiras de 0 ou 15 graus.
A eficiência de corte é definida pela capacidade da ponteira de transformar a energia ultrassônica em fragmentação mecânica do tecido. Isso é influenciado pela frequência do ultrassom, pelo curso (stroke) da ponteira e, crucialmente, pela geometria da ponta. Ponteiras com bisel maior (como a ponteira 4 mencionada na questão) oferecem uma 'lâmina' mais agressiva para o impacto contra o núcleo, sendo preferidas para técnicas de 'divide and conquer' ou 'chopping' em cataratas duras, onde a fragmentação inicial é o passo crítico.
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