Prevenção de Queimadura de Incisão na Facoemulsificação

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Após realizar as fraturas do núcleo com a técnica de dividir e conquistar, nota-se uma porção esbranquiçada e contração do tecido na porção lateral da incisão da córnea, com vazamento da solução de irrigação pelo vão formado. Entre as alternativas abaixo, qual seria eficaz em prevenir a ocorrência da complicação descrita?

Alternativas

  1. A) Reduzir a taxa de fluxo de aspiração e fazer incisão mais estreita.
  2. B) Usar ponteiras de maior diâmetro e luvas de irrigação coaxial de menor diâmetro.
  3. C) Manter a ponteira equidistante das paredes da incisão e utilizar ultrassom pulsado.
  4. D) Preencher a câmara anterior com viscoelástico coesivo e utilizar ultrassom contínuo.

Pérola Clínica

Queimadura de incisão (wound burn) → prevenir mantendo a ponteira centralizada e usando US pulsado.

Resumo-Chave

O 'wound burn' ocorre por superaquecimento da incisão devido ao atrito da ponteira de ultrassom ou obstrução do fluxo; a prevenção exige centralização da ponteira e redução do tempo de ultrassom contínuo.

Contexto Educacional

A queimadura de incisão é uma complicação séria da facoemulsificação que pode comprometer o fechamento da ferida cirúrgica, induzir astigmatismo severo e aumentar o risco de endoftalmite devido ao mau selamento. O sinal clássico é a aparência de 'leite' ou esbranquiçada na borda da incisão, acompanhada de retração tecidual. Para evitar essa intercorrência, o cirurgião deve garantir uma dinâmica de fluidos adequada (irrigação > aspiração), evitar incisões excessivamente estreitas que 'estrangulem' a luva da ponteira e, fundamentalmente, utilizar tecnologias de ultrassom 'frio', como o modo pulsado ou torsional. Em núcleos muito densos (cataratas bradicromáticas), a vigilância deve ser redobrada, pois a energia necessária é maior e o risco de oclusão da ponteira é frequente.

Perguntas Frequentes

O que causa a queimadura da incisão (wound burn) na faco?

A queimadura da incisão corneana é causada pela geração excessiva de calor por fricção entre a ponteira de ultrassom em vibração e o tecido da incisão. Isso geralmente ocorre quando há uma obstrução do fluxo de aspiração (por fragmentos de núcleo densos), o que interrompe o resfriamento da ponteira pela solução de irrigação. Outros fatores incluem incisões muito apertadas que comprimem a luva de irrigação e o uso prolongado de energia de ultrassom em modo contínuo.

Como o ultrassom pulsado ajuda a prevenir essa complicação?

O modo de ultrassom pulsado (ou 'burst') intercala períodos de emissão de energia com períodos de repouso (off-time). Durante o tempo de repouso, o fluxo contínuo da solução de irrigação consegue resfriar a ponteira de metal, dissipando o calor acumulado. Isso reduz drasticamente a energia térmica total entregue à incisão em comparação ao modo contínuo, diminuindo o risco de contração do colágeno corneano e consequente vazamento ou astigmatismo irregular.

Qual a importância do posicionamento da ponteira na incisão?

Manter a ponteira de facoemulsificação equidistante das paredes da incisão é crucial. Se a ponteira pressionar excessivamente um dos lados da incisão, ela comprimirá a luva de silicone (sleeve), interrompendo o fluxo de irrigação naquele ponto e aumentando o atrito direto com o estroma corneano. Esse contato mecânico associado à vibração ultrassônica gera calor localizado rapidamente, levando à opacificação esbranquiçada e deformidade do tecido, características do 'wound burn'.

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