CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Com relação às bombas de aspiração dos aparelhos de facoemulsificação, é correto afirmar que:
Bomba Peristáltica = vácuo depende de oclusão; Bomba Venturi = vácuo imediato e direto.
Bombas peristálticas são baseadas em fluxo e exigem oclusão da ponta para gerar vácuo, resultando em um tempo de subida (rise time) mais lento comparado às bombas Venturi.
A escolha da bomba de aspiração influencia diretamente a técnica cirúrgica na facoemulsificação. A bomba peristáltica permite que o cirurgião controle o fluxo de aspiração e o vácuo de forma independente (até certo ponto), sendo preferida para manobras que exigem precisão e estabilidade, como a aspiração de córtex. Já a bomba Venturi é valorizada pela sua capacidade de 'atração' (followability), facilitando a remoção de fragmentos nucleares densos. Atualmente, muitos aparelhos de facoemulsificação de alto desempenho são híbridos ou permitem a simulação de ambos os sistemas, oferecendo versatilidade para diferentes etapas da cirurgia de catarata.
A bomba peristáltica é um sistema baseado em fluxo (flow-based). Ela utiliza roletes que comprimem uma tubulação flexível, deslocando o fluido e criando um fluxo de aspiração constante. O vácuo só é gerado quando a ponta da caneta de faco é ocluída por fragmentos do cristalino. Como o vácuo depende da velocidade da bomba e do grau de oclusão, o tempo para atingir o nível máximo de vácuo (rise time) é mais lento. Isso oferece ao cirurgião um controle maior e uma margem de segurança contra o 'surge' (colapso da câmara anterior após a quebra da oclusão).
A bomba Venturi é um sistema baseado em vácuo (vacuum-based). Ela funciona através da passagem de ar comprimido sobre um orifício, criando uma pressão negativa imediata de acordo com o princípio de Bernoulli. Diferente da peristáltica, a bomba Venturi gera vácuo instantaneamente assim que o pedal é acionado, mesmo sem oclusão da ponta. Isso a torna extremamente eficiente para atrair fragmentos nucleares à distância, mas exige maior habilidade do cirurgião devido à rapidez da resposta e ao risco aumentado de instabilidade da câmara anterior.
O 'surge' ocorre quando uma oclusão da ponta de aspiração é subitamente rompida. O vácuo acumulado na tubulação aspira rapidamente o fluido da câmara anterior, podendo causar seu colapso e toque da cápsula posterior na ponta do faco. Bombas peristálticas modernas possuem sistemas de tubulações rígidas e sensores de pressão para minimizar esse efeito. Nas bombas Venturi, como o vácuo é direto, o controle do surge depende fundamentalmente da regulagem precisa dos parâmetros e da altura da garrafa de infusão para manter a pressão intraocular.
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