Calázio e Hordéolo: Diagnóstico e Tratamento na Rosácea Ocular

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

Fabrícia, 42 anos, vem à consulta com queixa de prurido, sensação de queimação e fincadas nas pálpebras de ambos os olhos há uma semana, sendo que no olho direito também apresenta uma bolinha que começou a doer ontem. Percebe estar mais estressada, com piora das suas espinhas e de períodos de sensação abrupta de vermelhidão e calor na pele no último mês, desde quando sua mãe teve fratura de fêmur, ficando acamada. Fabrícia é tabagista, faz uso de medroxiprogesterona injetável trimestral e tem alergia a penicilina. Ao exame físico, pupilas isofotorreagentes, movimentos extrínsecos oculares sem alterações; observam-se crostas na raiz dos cílios bilateralmente; nodulação em pálpebra de olho esquerdo dolorosa à palpação, com calor, rubor e edema; eritema facial com telangiectasias e pápulas-pustulosas. Com base no caso descrito, assinale a alternativa mais adequada:

Alternativas

  1. A) Trata-se de um caso de rosácea, doença dermatológica que não tem cura. A paciente deve ser orientada a evitar fatores agravantes como bebidas alcoólicas, exposição solar, vento e frio e aguardar resolução espontânea dos sintomas oftalmológicos.
  2. B) Para o quadro de hordéolo, deve-se prescrever compressas mornas por 5 a 10 minutos, 3 vezes ao dia, além de pomadas de associação de antibiótico e corticosteroide. Orientar que a resolução total desse sintoma deve ocorrer em três dias, caso contrário buscar urgência.
  3. C) A blefarite é comum em pacientes com rosácea, deve ser manejada com higiene palpebral com cotonete umedecido em xampu neutro. Após a resolução do quadro agudo, não há necessidade de manter a higiene, nem de desaconselhar a maquiagem dos olhos.
  4. D) Caso não haja drenagem espontânea, mesmo sem sinais significativos de inflamação aguda, é possível que permaneça um calázio, cisto de retenção crônica de material sebáceo, que pode ser tratado com cirurgia ambulatorial ou injeção de corticosteroide.

Pérola Clínica

Hordéolo agudo pode evoluir para calázio crônico, tratado com cirurgia ou corticoide intralesional.

Resumo-Chave

O caso descreve um quadro de rosácea com manifestações oculares (blefarite, hordéolo) e cutâneas. Um hordéolo agudo, se não drenar espontaneamente, pode evoluir para um calázio, que é um cisto de retenção crônica e pode requerer intervenção cirúrgica ou injeção de corticosteroide.

Contexto Educacional

O caso clínico de Fabrícia ilustra uma apresentação comum de rosácea, uma doença inflamatória crônica da pele que afeta predominantemente a face e frequentemente se associa a manifestações oculares. A rosácea ocular pode se manifestar como blefarite (inflamação das pálpebras), disfunção das glândulas de Meibômio, olho seco, conjuntivite e, como no caso, predisposição a hordéolos e calázios. O hordéolo é uma infecção aguda das glândulas sebáceas da pálpebra (Zeis ou Meibômio), apresentando-se com dor, calor, rubor e edema. O tratamento inicial envolve compressas mornas e higiene palpebral. Se um hordéolo não resolver espontaneamente ou não for tratado adequadamente, a inflamação pode cronificar e evoluir para um calázio, que é um cisto de retenção estéril de material sebáceo, geralmente indolor e mais firme à palpação. O manejo do calázio difere do hordéolo. Enquanto o hordéolo agudo pode resolver com medidas conservadoras, o calázio persistente pode exigir intervenções mais específicas. As opções incluem injeção intralesional de corticosteroide para reduzir a inflamação ou, em casos refratários ou de grande volume, excisão cirúrgica ambulatorial. É crucial para residentes diferenciar essas condições e entender a progressão e as opções terapêuticas para cada uma, especialmente no contexto de doenças sistêmicas como a rosácea.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre hordéolo e calázio?

O hordéolo é uma infecção bacteriana aguda das glândulas da pálpebra (Zeis ou Meibômio), dolorosa e com sinais inflamatórios. O calázio é uma inflamação granulomatosa crônica estéril de uma glândula de Meibômio, geralmente indolor e resultante de um hordéolo não resolvido.

Como tratar um calázio que não drena?

Calázios persistentes que não respondem a compressas mornas e massagens podem ser tratados com injeção intralesional de corticosteroide para reduzir a inflamação ou excisão cirúrgica ambulatorial.

Qual a relação entre rosácea e problemas oculares?

A rosácea é uma doença inflamatória crônica que frequentemente afeta os olhos, causando blefarite, disfunção das glândulas de Meibômio, olho seco, conjuntivite e, consequentemente, predispondo a hordéolos e calázios.

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