CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Criança de quatro anos, emétrope, apresenta exotropia intermitente de 20 dioptrias prismáticas e relação convergência acomodativa/acomodação de 7. Após a prescrição de lentes, apresentou exoforia de 6 DP. As lentes prescritas em ambos os olhos foram mais provavelmente de:
Lentes negativas → ↑ Acomodação → ↑ Convergência (via AC/A) → ↓ Exotropia.
O uso de lentes negativas sobrecorretoras em crianças com exotropia intermitente utiliza a relação AC/A para induzir convergência e controlar o desvio ocular.
A exotropia intermitente é um dos estrabismos mais comuns na infância. O manejo pode ser cirúrgico ou clínico. O tratamento com lentes negativas 'overminus' é uma técnica não cirúrgica eficaz para melhorar o controle do desvio. Baseia-se no reflexo de sincinésia acomodação-convergência. Em pacientes com uma relação AC/A alta (como o caso de AC/A = 7), pequenas mudanças na acomodação geram grandes mudanças na convergência, permitindo que lentes de -2,00 DE reduzam significativamente o ângulo de desvio manifesto.
Lentes negativas forçam o olho a acomodar para manter a imagem nítida. Como a acomodação está ligada à convergência (relação AC/A), o esforço acomodativo induz uma convergência que ajuda a neutralizar o desvio para fora (exotropia).
A mudança no desvio é igual à potência da lente multiplicada pela relação AC/A. Se o desvio caiu 14 DP (de 20 para 6) e o AC/A é 7, a lente necessária é 14/7 = 2 dioptrias negativas.
O uso prolongado de lentes negativas sobrecorretoras pode causar astenopia (cansaço visual) e há discussões teóricas sobre o potencial estímulo à progressão da miopia, embora as evidências sejam inconclusivas.
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