CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Com relação à exotropia intermitente, assinale a alternativa correta.
Lentes negativas (over-minus) tratam exotropia estimulando a convergência acomodativa.
O uso de lentes negativas induz acomodação, que por sua vez recruta a convergência acomodativa, ajudando a controlar o desvio divergente, especialmente se a relação AC/A for alta.
A exotropia intermitente (X(T)) é o tipo mais comum de desvio divergente na infância. Caracteriza-se por momentos de alinhamento (fusão) alternados com momentos de manifestação do desvio, frequentemente desencadeados por fadiga, doença ou luminosidade intensa (fechamento de um olho no sol). O tratamento visa manter a binocularidade e prevenir a supressão. A estratégia de hipermetropização (uso de lentes negativas) é uma medida temporária ou adjuvante eficaz, especialmente em crianças pequenas com relação AC/A alta, onde se deseja adiar a cirurgia. No entanto, deve-se monitorar o risco de induzir astenopia ou miopização. A decisão cirúrgica baseia-se na deterioração do controle do desvio, aumento da frequência da tropia e redução das amplitudes de fusão.
As lentes negativas (terapia de 'over-minus') forçam o paciente a acomodar para manter a imagem nítida na retina. Como a acomodação e a convergência estão neurologicamente ligadas, o estímulo acomodativo gera uma resposta de convergência acomodativa. Se o paciente tem uma relação AC/A alta, cada dioptria de lente negativa prescrita gera uma quantidade significativa de convergência, ajudando a neutralizar a exotropia e melhorar o controle do desvio.
Exercícios ortópticos são particularmente úteis em casos de exotropia associada à insuficiência de convergência. O objetivo é aumentar as amplitudes de fusão convergente e melhorar a capacidade do paciente de manter o alinhamento ocular em atividades de perto. Ao contrário do que sugerem alguns mitos, eles não são contraindicados, mas sim uma parte valiosa do tratamento não cirúrgico para melhorar o conforto sintomático e o controle fusional.
Não, a exotropia intermitente raramente se resolve de forma espontânea. A história natural da doença geralmente mostra uma progressão na frequência e duração das fases de desvio (perda de controle), podendo evoluir de uma exotropia intermitente para uma exotropia constante à medida que os mecanismos de fusão se tornam insuficientes. Por isso, o acompanhamento regular e a intervenção (óptica, ortóptica ou cirúrgica) são necessários.
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