CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
Assinale a alternativa correta com relação ao tratamento da exotropia intermitente:
Exotropia intermitente → Tratamento óptico otimiza fusão mesmo sem erro refrativo.
O manejo da exotropia intermitente foca em melhorar o controle fusional. O uso de lentes (especialmente negativas) estimula a convergência acomodativa, auxiliando no alinhamento ocular.
A exotropia intermitente é a forma mais comum de estrabismo divergente, caracterizada por fases de alinhamento (ortotropia) e fases de desvio (exotropia), geralmente desencadeadas por cansaço, doença ou desatenção. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre as forças de divergência e os mecanismos de fusão convergente. O tratamento inicial é frequentemente conservador. Além da correção de erros refrativos (como miopia, que se não corrigida pode piorar a exotropia), o uso de lentes negativas e a terapia visual (ortóptica) são pilares para fortalecer a fusão. A compreensão de que o tratamento óptico vai além da correção de dioptrias é fundamental para o manejo adequado desses pacientes na prática oftalmológica.
As lentes negativas (over-minus) são utilizadas para induzir a acomodação do paciente. Como a acomodação está ligada à convergência (relação AC/A), esse estímulo ajuda a manter os olhos alinhados, compensando a tendência à divergência na exotropia intermitente. É uma estratégia temporária para melhorar o controle fusional antes de considerar intervenções cirúrgicas, especialmente em crianças com boa reserva fusional.
A cirurgia é indicada quando há deterioração do controle da exotropia, aumento da frequência do desvio, perda da estereopsia (visão de profundidade) ou quando o desvio se torna constante. Não existe uma idade fixa obrigatória como os 8 anos; a decisão baseia-se na progressão clínica e na qualidade da binocularidade do paciente, visando preservar a função visual a longo prazo.
O sucesso é definido pela manutenção de um bom controle fusional, onde o paciente consegue manter o alinhamento ocular na maior parte do tempo, preservando a estereopsia e minimizando sintomas de astenopia. O tratamento óptico e exercícios ortópticos visam fortalecer essa capacidade de fusão motora e sensorial, adiando ou até evitando a necessidade de procedimento cirúrgico em casos selecionados.
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