UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
Durante uma excisão total do mesorreto (TME) para tratamento de câncer retal, o cirurgião deve realizar uma dissecção precisa para evitar lesão de estruturas vitais. Com base na anatomia do reto, qual das seguintes afirmativas está correta?
TME = Ressecção circunferencial do mesorreto no plano avascular para reduzir recidiva local.
A Excisão Total do Mesorreto (TME) exige a dissecção no 'holy plane' (plano avascular entre a fáscia visceral e parietal) para remover todo o tecido linfogorduroso perirretal.
A introdução da TME por Bill Heald na década de 1980 revolucionou o tratamento do câncer de reto, reduzindo as taxas de recidiva local de 30-40% para menos de 10%. A técnica baseia-se no conceito de que o mesorreto é a unidade anatômica e oncológica que contém a drenagem linfática primária do reto. A precisão cirúrgica no plano avascular, frequentemente chamado de 'holy plane', permite a remoção de uma peça cirúrgica com fáscia íntegra. A integridade da Margem de Ressecção Circunferencial (MRC) é o principal preditor prognóstico isolado. Além do benefício oncológico, a dissecção cuidadosa preserva os nervos hipogástricos superiores e os plexos pélvicos, mantendo a continência urinária e a função erétil/ejaculatória.
A TME consiste na remoção completa do reto envolto por sua gordura mesorretal íntegra, contida pela fáscia própria do reto (fáscia visceral). A dissecção deve ser realizada sob visão direta no espaço avascular entre a fáscia visceral e a fáscia parietal pré-sacral. Este procedimento é o padrão-ouro para tumores de reto médio e inferior, pois garante a remoção de linfonodos regionais e depósitos tumorais mesorretais, minimizando a recidiva local e preservando os nervos autonômicos pélvicos.
A fáscia de Denonvillier (ou fáscia retovesical/retovaginal) é uma estrutura anatômica importante localizada anteriormente ao reto. Ela atua como uma barreira entre o reto e os órgãos urogenitais anteriores (próstata e vesículas seminais no homem; vagina na mulher). Durante a TME, a dissecção anterior pode ser feita anterior ou posteriormente a esta fáscia, dependendo da localização e invasão do tumor, sendo crucial para evitar lesões vesicais e preservar a função sexual.
Os ligamentos laterais são condensações de tecido conjuntivo que unem o reto à parede pélvica lateral. Embora historicamente descritos como contendo a artéria retal média, estudos anatômicos modernos mostram que a presença desta artéria é variável (cerca de 25% dos casos). No entanto, esses ligamentos frequentemente contêm ramos nervosos do plexo hipogástrico inferior, e sua divisão inadvertida ou tração excessiva pode resultar em disfunção urinária e sexual pós-operatória.
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