CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Paciente com exotropia de aparecimento ocasional, cuja medida quando manifesta é maior para longe que para perto. Quanto ao tipo clínico, deve-se tratar de exotropia:
Exotropia (XT) maior para longe do que para perto (diferença > 10 DP) = Excesso de Divergência.
A classificação de Duane para exotropias baseia-se na diferença de magnitude do desvio entre a fixação de longe e perto, sendo o excesso de divergência caracterizado pelo predomínio do desvio à distância.
A exotropia intermitente (X(T)) é a forma mais comum de estrabismo divergente na infância. A compreensão da classificação de Duane é vital para o planejamento cirúrgico, pois o tipo de procedimento (bilateral nos retos laterais vs. monocular recuo-ressuprimento) pode variar conforme o padrão do desvio. O excesso de divergência reflete um desequilíbrio entre as forças de divergência tônica e convergência. O sinal do 'piscar' ou fechar um olho sob luz solar intensa é patognomônico e ocorre devido à dissociação da fusão pela luminosidade, transformando a exoforia em exotropia manifesta. O acompanhamento rigoroso da estereopsia é o melhor indicador para a intervenção cirúrgica.
Na classificação de Duane, o excesso de divergência é definido por uma exotropia que é significativamente maior na fixação para longe do que na fixação para perto (geralmente uma diferença de pelo menos 10 a 15 dioptrias prismáticas). Esses pacientes frequentemente mantêm um bom controle fusional para perto, mas apresentam manifestação intermitente ou constante do desvio ao olhar para o infinito ou em condições de alta luminosidade, onde o fechamento de um dos olhos é um sinal clínico clássico.
Para diferenciar o excesso de divergência verdadeiro do simulado (onde o desvio de perto parece menor devido à convergência fusional ou alta relação AC/A), utiliza-se o teste de oclusão monocular por 30-60 minutos ou o teste com lentes de +3.00 DE para perto. Se, após a oclusão ou com as lentes positivas, o desvio de perto aumentar e se igualar ao de longe, trata-se de um excesso de divergência simulado. Se o desvio de longe permanecer significativamente maior, é um excesso de divergência verdadeiro.
A conduta depende do controle do desvio, da frequência da manifestação e da presença de ambliopia ou perda de estereopsia. Inicialmente, pode-se tentar a correção total de erros refrativos (especialmente miopia para estimular a convergência acomodativa) e exercícios ortópticos para melhorar as reservas fusionais. No entanto, se o controle for pobre (escala de Newcastle ou Hunter), a cirurgia (geralmente recuo de retos laterais) é indicada para restaurar o alinhamento e preservar a binocularidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo