Exantema Súbito: Diagnóstico e Conduta em Pediatria

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Um lactente de 9 meses de vida foi levado ao pronto atendimento por manchas vermelhas pelo corpo há 12 horas. Pais referem febre por 4 dias (T máx. 39 ℃), porém a criança mantinha bom estado geral e alimentava-se bem. A febre cessou há 36 horas, e as lesões iniciaram-se no tronco hoje. Exame físico: bom estado geral; exantema máculo-papular difuso; e sem outras alterações. Considerando o caso clínico hipotético apresentado, assinale a opção que apresenta a principal hipótese diagnóstica e a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) Sarampo; internação e administrar vitamina A.
  2. B) Escarlatina; alta e prescrever penicilina benzatina IM.
  3. C) Exantema súbito; alta e prescrever medicações sintomáticas se necessário.
  4. D) Eritema infeccioso; alta e prescrever medicações sintomáticas se necessário.
  5. E) Exantema por enterovírus; alta e prescrever dose única de prednisolona.

Pérola Clínica

Febre alta que some subitamente + exantema centrífugo → Exantema Súbito (HHV-6).

Resumo-Chave

O exantema súbito caracteriza-se por febre alta isolada em lactentes que desaparece em crise, seguida pelo surgimento de lesões maculopapulares que iniciam no tronco.

Contexto Educacional

O exantema súbito, ou roseola infantum, é uma doença exantemática clássica da infância causada predominantemente pelo HHV-6. A história clínica é patognomônica: um período de febre alta (muitas vezes >39°C) que dura de 3 a 5 dias em um lactente que, apesar da temperatura, mantém-se ativo e com bom estado geral. O sinal clínico definidor é o desaparecimento súbito da febre (defervescência em crise) seguido imediatamente pelo aparecimento de um exantema maculopapular rosado, não pruriginoso, que se inicia no tronco e progride para pescoço e extremidades. O diagnóstico é eminentemente clínico, dispensando exames laboratoriais na maioria dos casos. O tratamento é de suporte, focando na hidratação e controle térmico com antitérmicos se necessário. É fundamental orientar os pais sobre a natureza benigna da condição e a possibilidade de crises febris durante a fase inicial, que não costumam deixar sequelas neurológicas. A transmissão ocorre por via respiratória e o período de incubação varia de 5 a 15 dias.

Perguntas Frequentes

Qual o agente etiológico mais comum do exantema súbito?

O agente principal é o Herpesvírus Humano tipo 6 (HHV-6), embora o HHV-7 também possa causar a doença. É uma infecção viral comum em lactentes, geralmente entre 6 e 15 meses de idade, transmitida principalmente pela saliva de portadores assintomáticos. A patogênese envolve a replicação viral sistêmica durante a fase febril, com posterior surgimento do exantema mediado por mecanismos imunológicos após a defervescência.

Como diferenciar o exantema súbito do sarampo?

No sarampo, o exantema surge no pico da febre e há pródromos intensos como tosse, coriza e conjuntivite, além das manchas de Koplik. No exantema súbito, a febre desaparece subitamente (crise) antes do surgimento das lesões cutâneas e a criança mantém bom estado geral. Além disso, o exantema do sarampo é craniocaudal, enquanto o do exantema súbito é centrífugo, iniciando-se no tronco.

Qual a principal complicação associada à fase febril?

A crise febril é a complicação mais frequente, ocorrendo em cerca de 10-15% dos casos devido à rápida ascensão da temperatura. É muitas vezes o motivo da procura ao pronto-socorro antes do aparecimento do exantema. O prognóstico é excelente e o tratamento é apenas sintomático, visando o conforto da criança e controle térmico.

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