Exantema Súbito (Roséola): Diagnóstico e Manejo em Lactentes

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2022

Enunciado

Lactente de 10 meses é trazido à consulta com história de febre há 3 dias, em uso de amoxicilina desde a noite anterior. A mãe refere o surgimento de manchas no corpo que atribuiu à provável alergia ao antimicrobiano, já que a febre desapareceu na primeira administração do medicamento. Ao exame físico, se encontra em bom estado geral e ativo, sendo os únicos achados alterados orofaringe hiperemiada, e presença de lesões maculares sem relevo em tronco. Qual hipótese diagnóstica mais provável e conduta pertinente para o caso?

Alternativas

  1. A) Reação alérgica ao antimicrobiano, trocar para Azitromicina e revisar em 48 horas.
  2. B) Reação alérgica ao antimicrobiano, iniciar anti-histamínico, manter Amoxicilina e revisar em 24 horas.
  3. C) Exantema súbito (roséola), manter antimicrobiano, solicitar hemograma e revisar com resultado.
  4. D) Exantema viral (roséola), suspender antimicrobiano, manter observação domiciliar, revisar se retornar febre ou alteração do quadro clínico.

Pérola Clínica

Exantema súbito: febre alta 3-5 dias, seguida por exantema maculopapular após febre ceder. Não é alergia a ATB.

Resumo-Chave

O exantema súbito (roséola) é uma doença viral comum em lactentes, caracterizada por febre alta que cede abruptamente, seguida pelo surgimento de lesões maculopapulares no tronco. A cronologia é chave para diferenciar de reação alérgica a antibióticos.

Contexto Educacional

O exantema súbito, também conhecido como roséola infantil ou sexta doença, é uma das doenças exantemáticas mais comuns na primeira infância, geralmente afetando lactentes entre 6 meses e 3 anos de idade. É causado principalmente pelo Herpesvírus Humano 6 (HHV-6) e, menos frequentemente, pelo HHV-7. O reconhecimento correto dessa condição é fundamental para evitar condutas desnecessárias, como a troca ou manutenção indevida de antibióticos. O quadro clínico típico inicia-se com febre alta e súbita, que pode durar de 3 a 5 dias, sem outros sintomas significativos, exceto irritabilidade. Após a defervescência da febre, surge o exantema característico: máculas ou maculopápulas róseas, discretas, que iniciam no tronco e se espalham para o pescoço e extremidades, poupando a face. Este exantema é transitório e desaparece em 1 a 2 dias. O diagnóstico é clínico, e exames laboratoriais geralmente não são necessários. O tratamento é sintomático, focado no controle da febre. É crucial orientar os pais sobre a natureza benigna e autolimitada da doença, desmistificando a ideia de que o exantema é uma alergia ao antibiótico, caso este tenha sido utilizado. A suspensão de antibióticos desnecessários é uma conduta importante. O prognóstico é excelente, com recuperação completa sem sequelas. Residentes devem estar aptos a diferenciar a roséola de outras doenças exantemáticas e reações medicamentosas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas típicos do exantema súbito em lactentes?

O exantema súbito, ou roséola infantil, é caracterizado por febre alta (39-40°C) por 3 a 5 dias, que cede abruptamente. Após a queda da febre, surge um exantema maculopapular róseo, não pruriginoso, que inicia no tronco e pode se espalhar para a face e extremidades.

Como diferenciar o exantema súbito de uma reação alérgica a antibióticos?

A principal diferença está na cronologia: no exantema súbito, o rash aparece *após* a febre ter cedido. Em reações alérgicas a antibióticos, o exantema geralmente surge *durante* o período febril ou logo após o início do medicamento, e a febre pode persistir ou não ter relação direta com o rash.

Qual a conduta recomendada para um caso de exantema súbito?

A conduta é de suporte, com hidratação e antitérmicos para a febre. O antibiótico, se em uso, deve ser suspenso, pois a causa é viral. Não há tratamento específico para o vírus, e a doença é autolimitada. A observação domiciliar é suficiente, com retorno se houver piora clínica.

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