USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Lactente, sexo feminino, 8 meses de idade, sem comorbidades prévias, foi atendida em Pronto-Socorro Infantil há 3 dias, com quadro de febre de até 39,5oC por 2 dias, associado a baixa aceitação alimentar. A mãe não notou nenhum outro sintoma associado. Ao exame clínico estava em bom estado geral e sem nenhuma alteração significativa. Considerado quadro de febre sem sinais localizatórios, colhida uroanálise e urocultura por sondagem vesical de alívio. Resultado da uroanálise: pH 5,5, densidade 1020, leucócitos 85.000/mm3, hemácias 15.000/mm³, nitrito negativo. Introduzido amoxicilina com clavulanato e solicitado retorno em 72 horas para reavaliação e checagem de urocultura. Hoje, na reavaliação, mãe refere que a paciente está tomando a medicação adequadamente, evoluindo afebril há 24 horas e sem novas queixas, exceto pelo surgimento de lesões maculopapulares eritematosas, em tronco, notadas há 12 horas. Urocultura com resultado final negativo. Qual é a conduta adequada?
Exantema súbito → febre alta súbita seguida por rash maculopapular em tronco após defervescência.
O exantema súbito (roséola infantil), causado principalmente pelo HHV-6, é uma doença viral comum em lactentes. Caracteriza-se por febre alta que cede abruptamente, seguida pelo surgimento de um exantema maculopapular no tronco. A urocultura negativa, a melhora clínica e o aparecimento do rash pós-febre confirmam a etiologia viral e a desnecessidade de antibióticos.
O exantema súbito, também conhecido como roséola infantil ou sexta doença, é uma infecção viral comum e benigna que afeta principalmente lactentes e crianças pequenas, geralmente entre 6 meses e 3 anos de idade. É causado mais frequentemente pelo Herpesvírus Humano 6 (HHV-6) e, em menor grau, pelo HHV-7. É uma causa comum de febre sem sinais localizatórios em lactentes, sendo crucial para o residente reconhecer seu padrão de evolução. A doença tipicamente se manifesta com febre alta (geralmente acima de 39°C) por 3 a 5 dias, que cede abruptamente. Após a defervescência, surge um exantema maculopapular róseo, não pruriginoso, que se inicia no tronco e se espalha para o pescoço e extremidades. Este padrão de febre alta seguida por rash após a queda da temperatura é patognomônico. O diagnóstico é clínico, e exames laboratoriais, como a urocultura negativa neste caso, ajudam a excluir outras causas bacterianas de febre. A conduta é de suporte, com antitérmicos para o controle da febre. Não há tratamento antiviral específico. A suspensão da antibioticoterapia é a conduta correta quando a etiologia bacteriana é descartada, como no caso de uma urocultura negativa e a evolução clínica típica de uma infecção viral. Manter antibióticos desnecessariamente expõe a criança a riscos de efeitos adversos, diarreia associada a antibióticos e contribui para a resistência antimicrobiana, sendo um erro comum a ser evitado na prática pediátrica.
O exantema súbito, ou roséola infantil, é caracterizado por 3 a 5 dias de febre alta (geralmente >39°C) que cede abruptamente, seguida pelo aparecimento de um exantema maculopapular róseo, não pruriginoso, que se inicia no tronco e se espalha para o pescoço e extremidades.
A urocultura negativa, juntamente com a melhora clínica e o surgimento do exantema após a defervescência, afasta a hipótese de infecção do trato urinário bacteriana e reforça o diagnóstico de uma infecção viral autolimitada, como o exantema súbito.
O tratamento é sintomático, com antitérmicos para a febre. Uma vez que a etiologia viral é confirmada (pela evolução clínica e exames negativos para bactérias), a antibioticoterapia deve ser suspensa, pois é desnecessária e pode levar a efeitos adversos e resistência antimicrobiana.
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