IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2023
Uma menina de 2 anos apresentou quadro de infecção urinária febril, com grande acometimento clínico, e foi tratada com antibioticoterapia com sucesso. Apresenta desnutrição ponderoestatural de 1° grau, imunização atrasada e passado de quadros febris sem diagnóstico. Foi encaminhada para acompanhamento ambulatorial, e foram solicitados exames de imagem. Assinale a alternativa correta com relação aos exames de imagem:
USG não detecta cicatrizes renais; UCM avalia refluxo vesicoureteral; Cintilografia DMSA detecta pielonefrite e cicatrizes.
A ultrassonografia de rins e vias urinárias é um bom exame inicial para avaliar anatomia, mas não é confiável para detectar cicatrizes renais, que são melhor visualizadas pela cintilografia renal com DMSA. A uretrocistografia miccional é o padrão-ouro para o diagnóstico de refluxo vesicoureteral, não para alterações da pelve renal. A cintilografia renal, embora tenha boa sensibilidade para pielonefrite e cicatrizes, utiliza radiação, mas é o melhor método para esse fim.
A infecção do trato urinário (ITU) febril em crianças é uma condição comum que exige investigação cuidadosa devido ao risco de dano renal permanente, como cicatrizes renais. Para residentes e estudantes, a compreensão dos exames de imagem e suas indicações é crucial para o manejo adequado. A desnutrição e a imunização atrasada, como no caso, podem ser fatores de risco ou indicadores de vulnerabilidade que exigem atenção extra. A ultrassonografia de rins e vias urinárias é geralmente o primeiro exame a ser solicitado. Ela é útil para identificar anomalias anatômicas, como hidronefrose, duplicação do sistema coletor ou cálculos. No entanto, é importante ressaltar que a ultrassonografia tem baixa sensibilidade para detectar cicatrizes renais, que são lesões parenquimatosas resultantes de pielonefrite. Portanto, uma ultrassonografia normal não exclui a presença de cicatrizes ou a necessidade de investigação adicional. A uretrocistografia miccional (UCM) é o padrão-ouro para o diagnóstico de refluxo vesicoureteral (RVU), uma condição em que a urina retorna da bexiga para os ureteres e rins, predispondo a ITUs. A UCM é indicada em crianças com ITU febril, especialmente após o primeiro episódio em menores de 2 anos, ou em casos de ITU recorrente. A cintilografia renal com DMSA (ácido dimercaptosuccínico) é o exame mais sensível para detectar pielonefrite aguda e cicatrizes renais. Embora envolva radiação, sua capacidade de identificar lesões parenquimatosas a torna indispensável para avaliar o prognóstico e guiar a conduta a longo prazo. O estudo urodinâmico, por sua vez, é reservado para casos complexos de disfunção vesical, não sendo um exame de rotina para ITU.
A ultrassonografia de rins e vias urinárias é o exame inicial na investigação de ITU febril em crianças. Ela avalia a anatomia renal e das vias urinárias, detectando anomalias congênitas, hidronefrose, cálculos e outras alterações estruturais. No entanto, sua sensibilidade para detectar cicatrizes renais é baixa.
A uretrocistografia miccional (UCM) é indicada para diagnosticar refluxo vesicoureteral (RVU), que é uma causa importante de ITU recorrente e dano renal. Geralmente é realizada após o primeiro episódio de ITU febril em crianças pequenas ou em casos de ITU recorrente, especialmente se a ultrassonografia inicial for alterada.
A cintilografia renal com DMSA é o exame mais sensível para detectar pielonefrite aguda e cicatrizes renais (lesões parenquimatosas). Ela permite avaliar a função renal diferencial e identificar áreas de lesão cortical, sendo crucial para o prognóstico a longo prazo e para guiar o manejo de crianças com ITU febril.
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