CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013
As figuras abaixo correspondem a diferentes exames para avaliação de um paciente com glaucoma. Assinale a alternativa que identifica corretamente cada tipo de exame.
HRT = Topografia do disco; GDX = Camada de fibras (polarimetria); OCT = Espessura retiniana (interferometria).
O diagnóstico estrutural do glaucoma utiliza diferentes tecnologias: HRT foca na topografia do disco, GDX na birrefringência das fibras nervosas e o OCT na espessura tecidual por interferometria.
O diagnóstico do glaucoma evoluiu de uma análise puramente subjetiva do disco óptico para uma avaliação multimodal quantitativa. O HRT foca na análise de superfície e volume do disco, sendo muito sensível a mudanças na rima. O GDX foca na integridade funcional/estrutural dos microtúbulos axonais. O OCT revolucionou a área ao permitir cortes transversais de alta resolução, medindo a espessura da CFNR com precisão micrométrica. A correlação entre esses exames e o campo visual (correlação estrutura-função) é a base do acompanhamento moderno do paciente glaucomatoso.
A principal diferença reside no que cada tecnologia prioriza na análise. O HRT (Heidelberg Retina Tomograph) utiliza a oftalmoscopia confocal de varredura a laser para criar um mapa topográfico tridimensional do disco óptico, sendo excelente para avaliar a área da rima neural e a profundidade da escavação. Já o OCT (Tomografia de Coerência Óptica) utiliza interferometria de baixa coerência para medir a espessura real das camadas da retina, com foco especial na camada de fibras nervosas peripapilar (CFNR) e no complexo de células ganglionares. Enquanto o HRT é mais focado na morfologia do disco, o OCT moderno (Spectral Domain) é considerado o padrão-ouro para detectar perdas precoces na camada de fibras nervosas.
O GDX (Nerve Fiber Analyzer) utiliza a Polarimetria de Varredura a Laser para avaliar a integridade da camada de fibras nervosas da retina (CFNR). Ele se baseia na propriedade física da birrefringência: os microtúbulos dentro dos axônios das células ganglionares alteram o estado de polarização da luz que os atravessa. O aparelho mede esse 'retardo' da luz, que é proporcional à espessura da camada de fibras. É um exame útil, mas que pode sofrer interferências de outras estruturas birrefringentes do olho, como a córnea, exigindo compensação (ECC - Enhanced Corneal Compensation). Atualmente, tem perdido espaço para o OCT de alta resolução na rotina diagnóstica.
Sim, a retinografia colorida e a estereofoto de papila continuam sendo fundamentais no manejo do glaucoma. Elas fornecem um registro documental visual e objetivo da aparência do disco óptico, permitindo a identificação de sinais que os exames computadorizados podem negligenciar, como hemorragias de disco (Hemorragias de Drance), atrofia peripapilar (zonas alfa e beta) e entalhes (notching) da rima neural. Além disso, a retinografia serve como base para a comparação histórica a longo prazo, ajudando a diferenciar progressão real de artefatos de software que podem ocorrer no OCT ou HRT devido a variações de sinal ou segmentação.
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