HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2023
Com relação ao exame a fresco e à coloração por Gram da secreção vaginal, no contexto de caso clínico de vulvovaginite, assinale a alternativa correta.
Gram de secreção vaginal: Bacilos Gram-negativos fusiformes → Sugere Mobiluncus spp. na vaginose bacteriana.
A microscopia da secreção vaginal, tanto a fresco quanto corada pelo Gram, é fundamental para o diagnóstico das vulvovaginites. A identificação de bacilos Gram-negativos fusiformes, como o Mobiluncus spp., é um achado característico na coloração de Gram que auxilia no diagnóstico da vaginose bacteriana, diferenciando-a de outras infecções.
As vulvovaginites são condições inflamatórias da vulva e vagina, extremamente comuns na prática ginecológica, causando desconforto significativo e impactando a qualidade de vida das mulheres. As principais causas infecciosas incluem a vaginose bacteriana, a candidíase vulvovaginal e a tricomoníase. O diagnóstico preciso é fundamental para o tratamento adequado e para evitar complicações ou recorrências. A microscopia da secreção vaginal, tanto o exame a fresco quanto a coloração de Gram, desempenha um papel central nesse processo. O exame a fresco permite a visualização direta de elementos como hifas e leveduras (candidíase), protozoários flagelados móveis (tricomoníase) e 'clue cells' (células epiteliais recobertas por bactérias, indicativas de vaginose bacteriana). A adição de KOH pode facilitar a visualização de elementos fúngicos. Já a coloração de Gram oferece uma avaliação mais detalhada da microbiota vaginal, permitindo identificar a predominância de bacilos Gram-positivos (Lactobacillus spp.), a presença de cocobacilos Gram-variáveis (Gardnerella vaginalis) e, como destacado na questão, bacilos Gram-negativos fusiformes ou curvos (Mobiluncus spp.), que são fortemente associados à vaginose bacteriana. A ausência de lactobacilos e a presença de múltiplos tipos bacterianos são características da vaginose bacteriana. É crucial que o residente saiba interpretar esses achados microscópicos para diferenciar corretamente as vulvovaginites. Por exemplo, a presença de 'clue cells' é patognomônica da vaginose bacteriana, enquanto a identificação de leveduras e pseudo-hifas aponta para candidíase. O Índice de Nugent, embora mais complexo, é uma ferramenta valiosa para o diagnóstico de vaginose bacteriana baseada no Gram. Um diagnóstico incorreto pode levar a tratamentos ineficazes e à persistência dos sintomas, ressaltando a importância do domínio dessas técnicas laboratoriais.
No exame a fresco, a tricomoníase é caracterizada pela presença de protozoários flagelados móveis (Trichomonas vaginalis). Para a candidíase vulvovaginal, os achados típicos são leveduras (blastoconídios) e/ou pseudo-hifas, que podem ser visualizadas com ou sem a adição de hidróxido de potássio (KOH).
'Clue cells' (células-chave) são células epiteliais vaginais que estão densamente recobertas por bactérias, de modo que suas bordas se tornam indistintas ou granulares. Sua identificação no exame a fresco ou na coloração de Gram é altamente preditiva da presença de vaginose bacteriana, sendo um dos critérios de Amsel.
O Índice de Nugent é um sistema de pontuação baseado na coloração de Gram da secreção vaginal, utilizado para diagnosticar a vaginose bacteriana. Ele avalia a morfologia e a proporção de diferentes tipos de bactérias (Lactobacillus, Gardnerella/Bacteroides, Mobiluncus) e atribui uma pontuação que classifica a microbiota vaginal como normal, intermediária ou sugestiva de vaginose bacteriana. Não é utilizado para candidíase.
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